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domingo, 20 de novembro de 2011

"Quem é mais esperto???"


“O amor podre só fede pra quem quis sentir alguma coisa. Vontade de nunca mais ser degustada pelas beiradas. Não me levam e ainda deixam um monte de merdas misturadas a mim, como se tivessem cagado eu mesma para mim mesma. Eu só fiz gostar deles. Ou melhor: eu só fiz usá-los para gostar um pouco da vida. Se eles me usaram por causa do meu buraco entre as pernas, eu os usei por causa do meu buraco no meio do peito. Quem é mais esperto? Não sei.”
- Tati Bernardi.



Não sei, mas vou tentar opinar!

Penso que mais esperto é sempre aquele que conseguir, mesmo após ficar despedaçado, juntar os cacos e seguir em frente, acreditando, mesmo que desconfiado, tentando, mesmo que sem forças, mas, principalmente, aquele que não provoca as mesmas cicatrizes em outra pessoa que nada teve a ver com suas frustrações anteriores. Machucar alguém, sempre machucaremos, somos imperfeitos, mas que seja involuntário, e não por blindagem ou sacanagem...

O mais esperto e inteligente será sempre aquele que passou por tudo o que a Tati escreveu, e conseguiu entender que amor é algo que não se pode exigir, e que suas escolhas tem 50% de chances de darem certo, e mesmo dando errado, não é para se arrepender e sim APRENDER! E que não se deve fazer nada esperando receber em troca... É querer ser feliz sem a certeza de que será, e saber que, apesar de, FOI-SE FELIZ...mesmo que não tenha sido "uma felicidade de mão dupla"!

O mais esperto e inteligente é sempre aquele que se entrega sem medo de se machucar, pq sabe que está/esteve ali pensando, primeiramente, em si próprio, pq ninguém pensa no próximo em primeiro lugar, afirmar isso é pura hipocrisia, muito embora devesse ser um princípio básico de cada um...

O mais esperto e inteligente será sempre aquele que, "após o luto", primeiro limpa o seu coração antes que ele seja habitado novamente... Isso se chama RESPEITO ao próximo!

Eu li uma frase da Fernanda Estellita que diz exatamente isso: "NINGUÉM PERTENCE A NINGUÉM, MAS RESPEITO PERTENCE A TODOS".

Por isso tudo, esse para mim será sempre o mais esperto e inteligente, simplesmente, pq lá na frente entenderá que ser uma pessoa digna, nada tem a ver com o outro, é a maior prova de respeito consigo mesmo, pq se alguém sente orgulho de visto como mau caráter, tb é a maior prova de que está morto para a vida!!!

O maior registro de lembranças do caminho percorrido, não estão nas fotos com os amigos nas saídas, ou nos sorrisos expostos nas páginas dos perfis sociais, a grande verdade é que ninguém sabe como você está por dentro, a maior prova de quem você realmente foi/é está registrado neste livro invisível chamado "VIDA" e ser encarado como mocinho ou bandido, burro ou esperto, não é um julgamento nosso!
Às vezes achamos que estamos abafando, qdo conseguimos provar, aparentemente, como fomos ou somos "superiores" em relação a alguém, e sem saber, somos os mais patéticos para as pessoas que realmente importam...

Penso que esse julgamento de quem foi "O MAIS ESPERTO", citado pela Tati, será apenas consequência das nossas escolhas e atitudes e de como seremos encarados pelos outros, mesmo que sempre afirmemos que a opinião do próximo não nos interessa... o que aliás, é uma GRANDE mentira! Uma vez que é impossível viver só...

Enfim, esse é o meu pensamento! Tati Bernardi, mais uma vez, como sempre, PERFEITA!!!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O medo de errar...

"A gente é a soma das nossas decisões.


É uma frase da qual sempre gostei, mas lembrei dela outro dia num local inusitado: dentro do súper. Comprar maionese, band-aid e iogurte, por exemplo, hoje requer expertise. Tem maionese tradicional, light, premium, com leite, com ômega 3, com limão, com ovos “free range”. Band-aid, há de todos os formatos e tamanhos, nas versões transparente, extratransparente, colorido, temático, flexível.


Absorvente com aba e sem aba, com perfume e sem perfume, cobertura seca ou suave. Creme dental contra o amarelamento, contra o tártaro, contra o mau hálito, contra a cárie, contra as bactérias. É o melhor dos mundos: aumentou a diversificação. E com ela, o medo de errar.


Assim como antes era mais fácil fazer compras, também era mais fácil viver. Para ser feliz, bastava estudar (magistério para as moças), fazer uma faculdade (Medicina, Engenharia ou Direito para os rapazes), casar (com o sexo oposto), ter filhos (no mínimo dois) e manter a família estruturada até o fim do dias. Era a maionese tradicional.


Hoje, existem várias “marcas” de felicidade. Casar, não casar, juntar, ficar, separar. Homem com mulher, homem com homem, mulher com mulher. Ter filhos biológicos, adotar, inseminação artificial, barriga de aluguel – ou simplesmente não tê-los.


Fazer intercâmbio, abrir o próprio negócio, tentar um concurso público, entrar para a faculdade. Mas estudar o quê? Só de cursos técnicos, profissionalizantes e universitários, há centenas. Computação Gráfica ou Informática Biomédica? Editoração ou Ciências Moleculares? Moda, Geofísica ou Engenharia de Petróleo?


A vida padronizada podia ser menos estimulante, mas oferecia mais segurança, era fácil “acertar” e se sentir um adulto. Já a expansão de ofertas tornou tudo mais empolgante, só que incentivou a infantilização: sem saber ao certo o que é melhor para si, surgiu o medo de crescer.


Todos parecem ter 10 anos menos. Quem tem 17, age como se tivesse 7. Quem tem 28, parece ter 18. Quem tem 39, vive como se fossem 29. Quem tem 40, 50, 60, mesma coisa. Por um lado, é ótimo ter um espírito jovial e a aparência idem, mas até quando se pode adiar a maturidade?



Só nos tornamos verdadeiramente adultos quando perdemos o medo de errar. Não somos apenas a soma das nossas escolhas, mas também das nossas renúncias. Crescer é tomar decisões e, depois, conviver pacificamente com a dúvida. Adolescentes prorrogam suas escolhas porque querem ter certeza absoluta – errar lhes parece a morte.



Adultos sabem que nunca terão certeza absoluta de nada, e sabem também que só a morte física é definitiva. Já “morreram” diante de fracassos e frustrações, e voltaram pra vida. Ao entender que é normal morrer várias vezes numa única existência, perdemos o medo – e finalmente crescemos."




(Martha Medeiros)



domingo, 9 de outubro de 2011

Visita...


"Eu sei que não foi você que desarrumou minha vida e fez essa bagunça toda que tive que arrumar gradualmente enquanto cuspia minha raiva, minha dor, mas, por favor, para entrar aqui agora é preciso pés descalços e nenhuma armadura. É por eu não ter deixado de confiar nas pessoas que te peço isso. Não existe tristeza em mais nenhum canto desta casa, tudo foi limpo e adornado com amor, saiba receber esta dádiva. Não quero saber agora o que você traz do seu passado enquanto a água do chá ferve, e também não me pergunte o que me aconteceu para que eu esteja assim, tão direta. É possível que eu te convide pra dormir aqui esta noite ou te mande embora às três da manhã, espero que não se aborreça ou crie expectativas enquanto ponho a erva doce na água quente. Eu não tenho açúcar, empedrou desde que. Enfim, você quer com ou sem adoçante? Não me prometa nada, eu vivo um dia de cada vez, só tenho memória recente. Sobre ontem, pouco lembro, sei que fui dormir e antes conferi se todas as portas estavam trancadas e se eu estava feliz. Também sei que ainda era cedo, e que fazia muito frio. Mas, sim, eu estava feliz.
Vou deixar apenas a luz do abajur acesa, e o seu cd de jazz tocando bem baixinho pra que eu escute como foi seu dia e o que você gosta de ler. Não é que eu não goste de me expor, mas a semana passada já faz muito tempo pra mim. Mas se te interessa saber, meu coração está desocupado e eu gosto quando você me abraça forte. Talvez isto seja o suficiente para que você chegue mais perto de mim e conviva sem se incomodar com o silêncio que eu carrego nos olhos. O que me atraiu em você foi a sua beleza física com esta sensibilidade e inteligência juntas.Mas aprendi a descartar até essas qualidades em um homem se não houver essa nudez de alma. Os inteligentes podem ser muito espertos e cruéis. Os bonitos podem ser uns tolos. E os sensíveis, muito dramáticos. Eu não estou endurecida, só aprendi a observar com certa malícia, preservo minha inocência, mas me arrancaram a ingenuidade à força, disso eu lembro. Não me fizeram mal algum, nada que não houvesse a permissividade da minha carência. A responsabilidade também foi minha. Você está confortável nesta posição? Aprendi a me enroscar num outro corpo como se eu fosse uma extensão dele. Eu gosto de me aninhar no afeto, nasci para ser acariciada antes, durante e depois do sexo. Mas hoje talvez eu queira que você vá pro seu apartamento_ me deu vontade de escrever alguma coisa sobre a sua voz, antes que ela fique no passado."

Se quiser esquecer seu cd, talvez eu te convide pra jantar amanhã. E te leia alguma coisa mais doce que aquele açúcar empedrado. É que eu ainda não esqueci como se escreve o começo de um romance. Só aprendi que o interesse do leitor vai depender da minha primeira frase.

Então eu prefiro que você volte amanhã. É que eu preciso sentir saudade antes de me apaixonar."
(Marla de Queiroz)



Ela, simplesmente, incrível!!!