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segunda-feira, 9 de abril de 2012

O amor esquece de começar...

"Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros.


Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção.


Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas.


Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar.



Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia.



Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza.Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam.



Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado.Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas.



Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você.



Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele.



Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la.



Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha.



Você tem medo de já estar apaixonada..."



Trecho do livro "O amor esquece de começar" de Fabrício Carpinejar

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Amputações...


"Quando o filme 127 Horas estreou no cinema, resisti à tentação de assisti-lo. Achei que a cena da amputação do braço, filmada com extremo realismo, não faria bem para meu estômago. Mas agora que saiu em DVD, corri para a locadora. Em casa eu estaria livre de dar vexame.

Quando a famosa cena se iniciasse, bastaria dar um passeio até a cozinha, tomar um copo d´água, conferir as mensagens no celular, e então voltar para a frente da TV quando a desgraceira estivesse consumada. Foi o que fiz.

O corte, o tão famigerado corte, no entanto, faz parte da solução, não do problema. São cinco minutos de racionalidade, bravura e dor extremas, mas é também um ato de libertação, a verdadeira parte feliz do filme, ainda que tenhamos dificuldade de aceitar que a felicidade pode ser dolorosa. É muito improvável que o que aconteceu com o Aron Ralston da vida real (interpretado no filme por James Franco) aconteça conosco também, e daquele jeito.

Mas, metaforicamente, alguns homens e mulheres conhecem a experiência de ficar com um pedaço de si aprisionado, imóvel, apodrecendo, impedindo a continuidade da vida. Muitos tiveram a sua grande rocha para mover e, não conseguindo movê-la, foram obrigados a uma amputação dramática, porém necessária.

Sim, estamos falando de amores paralisantes, mas também de profissões que não deram retorno, de laços familiares que tivemos de romper, de raízes que resolvemos abandonar, cidades que deixamos. De tudo que é nosso, mas que teve que deixar de ser, na marra, em troca da nossa sobrevivência emocional. E física, também, já que insatisfação é algo que debilita.

Depois que vi o filme, passei a olhar para pessoas desconhecidas me perguntando: qual será a parte que lhes falta? Não o “Pedaço de Mim” da música do Chico Buarque, aquela do filho que já partiu, mutilação mais arrasadora que há, mas as mutilações escolhidas, o toco de braço que tiveram que deixar para trás a fim de começarem uma nova vida.

Se eu juntasse alguns transeuntes, aleatoriamente, duvido que encontrasse um que afirmasse: cheguei até aqui sem nenhuma amputação autoprovocada. Será? Talvez seja um sortudo. Mas é mais provável que tenha faltado coragem.

Às vezes o músculo está estendido, espichado, no limite: há um único nervo que nos mantém presos a algo que não nos serve mais, porém ainda nos pertence. Fazer o talho sangra. Machuca. Dói de dar vertigem, de fazer desmaiar. E dói mais ainda porque se sabe que é irreversível. A partir dali, a vida recomeçará com uma ausência.

Mas é isso ou morrer aprisionado por uma pedra que não vai se mover sozinha. O tempo não vai mudar a situação. Ninguém vai aparecer para salvá-lo. 127 horas, 2.300 horas, 6.450 horas, 22.500 horas que se transformam em anos.

Cada um tem um cânion pelo qual se sente atraído. E um cânion do qual é preciso escapar."


(Martha Medeiros)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Dar não é fazer amor...

"O que escrever para a próxima coluna? Listo prováveis assuntos: o mercado de trabalho, homens que cospem catarros horrorosos pelas ruas, minha bunda, sexo sem amor, a necessidade de ter alguém pra chamar de amor.


Demoro um dia inteiro para me decidir porque sou indecisa. Não me decido por nenhum porque sou possessiva e filha única: quero todos. Então vamos lá, seguindo a ordem.

Existe um boato por aí que publicitário tem a vida mansa e que todos eles são meio loucos. Isso dá uma coceirinha nos estudantes que acham esse papo muito cool e se matriculam aos montes pelas faculdades do país. Sou redatora publicitária e há dois anos e meio não tenho um salário decente apesar das mais de doze horas trabalhadas por dia. Já mudei de agência seis vezes e já mudei de assunto mais de mil quando amigos e parentes perguntam por que eu não tenho um horário fixo, um salário fixo e um lugar fixo para ir todos os dias. Aturo a crise mundial, a crise do país, a crise do mercado, a crise do mercado publicitário e a crise de meia-idade de colegas de trabalho com seus leões na mesa, suas baleias em casa e a tara por jovenzinhas deslumbradas e em aprendizado.

O boato da loucura é realidade, ninguém normal atura isso tudo.
Quanto a ter a vida mansa, que vão todos para a merda antes que eu me esqueça.


Não sei de muitas coisas nesta vida, mas aprendi que entre a paixão e o ódio pela propaganda, tem sempre um catarro. Vou andando pelas ruas pensando em todos os lados bons e ruins da minha profissão: eu crio, eu não tenho um trabalho burocrático, chato, operacional, burro, exato. Eu movimento grana, eu emociono, eu faço as pessoas rirem. Plá, uma catarrada. Eu ganho mal, me deram uma porra de um PC em vez de um Mac, eu fico muito tempo sentada e minha bunda tá horrível, plá, outra catarrada.

Por que diabos esses imundos homens cospem essas melequeiras pelas ruas? Por que diabos? Por que diabos? Como eu odeio isso. ODEIO. Onde está escrito que o mundo permite essa escatologia exposta à luz do dia? Às vezes é preciso desviar para não sentir respingarem resquícios da nojeira no peito do pé. Desejo do fundo do meu coração que todos eles sufoquem entalados com suas crias gosmentas e fiquem tão verdes quanto elas.


Mas ainda mais nojento do que escutar aquela chupada suína que precede o plá da catarrada, é escutar o sugar de tesão de um escroto qualquer que você nunca viu na vida. É aquele "ssssssssss delícia", "ufffffffffffffffff gostosa".


Não se anime não, seu neanderthal urbano, que o que você está vendo é apenas o poder de uma calça jeans caríssima, que uma redatora publicitária em começo de carreira com seu salário de merda só pode ter comprado em cinco vezes sem juros. Cê não tá vendo, querido, que por trás disso é apenas a bunda de uma redatora publicitária que sofre várias crises de mercado e não tem tempo para uma academia? Tá caída, mermão! Já não é mais a mesma. Aliás, isso me lembrou a propaganda, mas este assunto já deu.


E por falar em dar... dar não é fazer amor. Dar é dar. Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido, mas dar é bom pra cacete. Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca, te chama de nomes que eu não escreveria, não te vira com delicadeza, não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom. Melhor do que dar, só dar por dar. Dar sem querer casar, sem querer apresentar pra mãe, sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo. Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral, te amolece o gingado, te molha o instinto. Dar porque a vida de uma publicitária em começo de carreira é estressante e dar relaxa. Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã. Tem caras que você vai acabar dando, não tem jeito. Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro.



Dar é bom. Na hora. Durante um mês. Para as mais desavisadas, talvez por anos. Mas dar é dar demais e ficar vazia. Dar é não ganhar. É não ganhar um "eu te amo" baixinho, perdido no meio do escuro. É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir. É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: "Que cê acha, amor?". Dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito. Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor, esse sim é o maior tesão. Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar o suficiente pra nem perceber as catarradas na rua" - (Tati Bernardi)


Há muito tempo eu já havia postado parte deste texto da Tati Bernardi.
Hoje encontrei-o completo e resolvi polstá-lo novamente.
Acho SENSACIONAL! Acho INCRÍVEL  e VERDADEIRO de acordo com as minhas convicções!
Acho MUITO Tati Bernardi, debochada e escrachada na medida exata sem perder a "doçura contemporânea" que tem sido motivo de seu crescimento. Por isso tudo e por muito  mais, achei que ele merecia estar novamente aqui no meu blog, e dessa vez, por inteiro...

Salve @Tati_Bernardi !!!

sábado, 15 de maio de 2010

Saudades...

"Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...

Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!

Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência..."

Clarice Lispector

sábado, 30 de maio de 2009

Divã...


É eu sei, um pouco tarde para quem é fã incondicional de Martha Medeiros. Porém tenho uma justificativa bastante coerente e compreensível...

Como eu disse, Martha não é uma escritora qualquer para mim. Seus textos mexem muito comigo, muito mesmo, vocês nem imaginam!
Bem, pelos posts anteriores vocês poderão observar que não andava muito bem, aliás nada bem e sabia que não tinha a menor condição de assistir Divã mal do jeito que estava, certamente eu sairia "pior" e entraria numa bolha de questionamentos sobre "ser/estar" infindável...
Seria o Caos total! Quase um suicído, uma auto destruição mesmo. (risos)
Quando escrevo isso, não é num sentido ruim.
O sentido de ser destrúida por um texto, filme ou qualquer coisa do gênero, é bem mais assustador...
É ter o interior exposto, a "hipocrisia desnudada", é ser desvendado, descoberto...

Enfim, precisava estar preparada psicologicamente para assisti-lo, precisei criar coragem para ir de peito aberto e pronta para as "porradas" que levaria.
Fomos quinta-feira, eu e minha irmã que também é minha parceira na hora das choradeiras com os textos da Martha...
Foi uma experiência incrível! Saímos dali de alma lavada e claro, chorando horrores como sempre acontece ao término dos seus textos...

Não posso deixar de comentar duas partes do filme.
A primeira, é aquela amizade entre a Mônica e a Mercedes. Lindo! Uma amizade como a nossa. Singela e verdadeira! (A Márcia disse que se eu fizer o que a Mônica fez, ela me enfia a porrada e vou para o caixão toda roxa... kkkkkkkkkkkkkkkkk), só para descontrair.

A segunda parte (e por isso a foto deste post), o diálogo final entre Mercedes e Gustavo, onde ela fala sobre o aprendizado dela com a morte de Mônica. O medo de deixar de falar o fundamental, de deixar pendências na vida...
Perfeito demais!!! Uma cena para se aplaudir de pé!(Chego ficar sem fôlego só de pensar nessa parte...)

Gente tenho tanta coisa para comentar sobre o filme...
O que seria a Mercedes feliz cortando o cabelo?
O que seria ela fumando um back?
O que seria ela na "vibe"?
O que seria ela tirando a meia de alta compressão?
O que seria ela deitada no chão deixando a chuva molhar seu corpo ao se "redescobrir" mulher?
O que seria ela andando com aquele vestido vermelho na cena final, poderosa e mais feminina do que nunca?

E para finalizar, o diálogo maduro e sincero entre Mercedes e Gustavo (já comentado acima).
Ela sabia que tinha um grande homem ao seu lado e também sabia que estava abrindo mão de uma "jóia".
Ela precisava falar o fundamental! Foi lá e não teve medo de se expor, falou para ele tudo o que estava sentindo. Mostrou que tinha ciúmes, mostrou que ainda tinha amor, sem vergonha, sem medo de ser julgada pois ela percebeu que não tinha a ver com o outro e sim com ela e que também poderia não ter mais tempo...


NÃO DEIXAR PENDÊNCIAS. Sem dúvida, uma das maiores lições deste filme!

Foi nítido o quanto eles rejuvenesceram, desabrocharam e principalmente amadureceram após a separação.
Eles tiveram coragem de parar na hora exata e não deixar a relação desgastar até chegar num ponto insustentável.
Aliás, definitivamente me convenci, de que amadurecer não tem a ver com a idade...
Uau! É para nos deixar nas nuvens mesmo, que lição!

Essa cena não poderia ser mais perfeita!
Eles se amavam porém não se completavam mais.
Também ficou claro que não é preciso odiar quem dividiu coisas tão profundas com você. Muito pelo contrário!
Por que temos que virar inimigos de quem foi por um período tão precioso nas nossas vidas? Ainda mais no caso deles que tinham construído laços não apenas afetivos, existiam frutos dessa relação, os filhos.
Óbvio que não é isso! Tem que ser muito medíocre para pensar assim não é não?!? (portanto, mais uma lição...eita!)

Bem, voltando ao diálogo, nesse pedaço também podemos observar que além da admiração, existia entre eles o principal, fundamental e cada vez mais escasso nas relações humanas: RESPEITO


RESPEITO!!!
É, tenho andado com a nítida sensação de que essa é uma palavra mais forte do que AMOR, pois a falta dele muda tudo!!!
Sem dúvida alguma eles não estariam sentados civilizadamente numa mesa se não houvesse respeito entre eles, mesmo se houvesse amor...

Sem dúvida no meu caso essa foi a maior lição que pude tirar do filme.
Já para minha irmã, creio que a lição foi poder testificar que é fundamental não sentir mais medo em falar o que é realmente fundamental!

Sim, eles eram de fato um para o outro, como um vestido Armani que ficou pequeno ou maior com o passar dos anos e já não lhes cabia mais tão bem...

Parabéns Lília Cabral! Você está magnífica neste papel... aliás, como sempre né?!
Agora, nesse papel de Mercedes você está simplesmente... EU! risos

Cada vez mais me convenço, de que os escritores, poetas famosos e não famosos e nem por isso menos talentosos, possuem mais do que o dom de brincar com as palavras... Eles são os únicos que possuem o dom de decifrar e "retratar" com exatidão o que vai no nosso interior. Nós até sabemos o que temos aqui dentro de nós, só não sabemos como exteriorizar...

Obrigada Deus por todos os escritores! :)

É, quero ir novamente!
Estou pronta para aprender novas lições e voltar para casa modificada. Para melhor, sem dúvida!!! Vou com aquele vestido vermelho usado só nas ocasiões mais que especiais... :)

Escrevi no meu orkut no dia que cheguei o seguinte:
"Hoje posso afirmar categoricamente que estou enfim "de alta" do meu analista. Totalmente livre das minhas neuroses, dos meus medos e o melhor sem nada pendente...
Só me resta o futuro!" - (por isso postei novamente o texto strip-tease, posso ir onde eu quiser pois não tem nada em mim pendente, nada em mim obscuro, estou completamente "nua" e pronta para ser mais feliz do que nunca!)

Que venha o futuro então!!!!!!!!!!!!!!

sábado, 11 de abril de 2009

Para que servem as recordações...


Hoje eu estava a fim de escutar Cazuza. Coloquei um cd que não era para ser, mas já que foi...
Explico, este cd tem uma peculiaridade. Ele tem Raul Seixas, mais precisamente a música TENTE OUTRA VEZ e esta não é uma música qualquer para mim, por este motivo, evito toca-lo.
Não foi realmente de propósito porém acho que era para ser hoje o dia de ouvir este CD.
Sabe aquele CD que não é para todas as horas? É apenas para aqueles dias que você está a fim de "nostalgiar", sabe como é? Confesso que para mim "nostalgiar" é uma faca de dois gumes, perigoso até eu diria, pois tenho forte tendência a ficar deprê e por incrível que pareça não foi o que aconteceu.
Foi totalmente impensado, quando percebi já estava tocando Raul. Não tinha como voltar atrás mesmo sabendo que ele iria "tirar da gaveta meus panos de guardar confetes".
Raul Seixas foi muito feliz ao escrever esta eltra e minha amiga Elaine foi muito feliz ao dedica-la a mim em 1993.
1993! Um ano em que ainda se escreviam cartas em papel e foi numa dessas cartas, mais precisamente em 09/10/93 que Elaine me dedicou esta música.
Dois anos antes tinha sofrido uma perda aparentemente irreparável, tinha perdido "meu grande amor".
Sabe aquele amor que projetamos tudo? Casamento, filhos e a tal famosa frase até que a morte nos separe? Então, claro que não aconteceu, afinal éramos jovens demais, mas as consequências do término desse namoro foram sentidas pela Elaine, sem dúvida alguma. Coitada da Elaine!!! Da Elaine e do Gugu... hahahahaha
Ah o Gugu! Quanta saudade desse menino! Ele num desespero totalmente compreensível, tentou me apresentar todos os seus amigos para ver se tinha um momento a sós com sua gata loira de olhos azuis...ledo engano!
Ninguém era capaz de fazer a Maçãzinha sair daquela inércia...apenas o Raul!

Por isso, no post anterior eu coloquei a música do sábio Raul Seixas.
Que letra! Tão profunda e tão positiva... parecia que o Raul tinha escrito para mim. Me apeguei a esta canção como se fosse a solução, um amuleto. Todas as vezes que eu pensava em ficar triste eu ia ler a tal cartinha...acho que nem a Elaine sabe da importância desse manuscrito na minha vida

Cheguei em casa e corri para minha caixinha de recordações. Uma velha caixa de bombons que carrega dentro dela velhas lembranças...
Estou aqui nostálgica porém feliz de poder dividir isso com vocês. Na verdade, estamos aqui, eu e a cartinha amarelada pelo tempo, eu com algumas cicatrizes e ela com alguns rasguinhos, porém resistente! Resistente como minhas lembranças...

Fiquei nostálgica sim, porém estou feliz! E percebi que estou pronta para dividir esta canção com outros tantos que se encontram como eu estava...
Portanto, dedico sem ciúmes o post anterior contendo a letra da música TENTE OUTRA VEZ a todas as pessoas que estão precisando de "um amuleto".
Leiam com bastante atenção cada palavra contida nesta letra tentando absorver o seu significado.
Leiam, reflitam e entendam que temos dois pés para cruzar a ponte...
Só depende de nós TENTAR OUTRA VEZ!!!


As recordações servem para isso...
Para que possamos enxergar que é de batalhas que se vive e se faz a vida!

Essa sem dúvida foi durante um bom tempo a minha música...

PEACE

Elaine esse post é dedicado a você!
SAUDADES!!! "A distância não separa os amigos..."

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Eternal Sunshine Of The Spotless Mind...



Todas as vezes que assisto ou lembro deste filme, "me faço" a mesma pergunta:

Quais pessoas ou momentos eu gostaria que fossem apagados da minha lembrança???

E por mais louca que a resposta possa parecer, hoje, eu sempre chego a mesma conclusão: Nenhum! Não existe momento que eu queira apagar ou muito menos pessoas...

Cada pedacinho vivido, bom ou ruim e pessoas que por mim passaram, boas ou "más", foram responsáveis para a construção de quem sou hoje.

Sem dúvida alguma houveram momentos perfeitos, como houveram inúmeros momentos ruins, momentos de tristeza profunda e eu diria até tenebrosos!
Descobrir a doença do meu pai foi um desses...

Calma! Não vou falar mais uma vez sobre, pais ou sobre a doença do meu pai. Nada disso! Apenas quero exemplificar que eu tive momentos terríveis e que a lição tirada disto foi a melhor possível. Eles servem para alguma coisa! Servem para te fazer melhor... Complexo não?

Claro que no momento da turbulência você não pensa nas experiências positivas que irá colher. Pelo contrário, dependendo do tamanho da dor, você se fecha e tranca mesmo o coração, se revolta...
Porém, a verdade é que os momentos ruins são os responsáveis pela nossa transformação. Geralmente uma transformação positiva, pois eles servirão para o nosso amadurecimento...

Eu sei que isso é uma experiência totalmente individual e nem sei dizer se é uma questão de querer aprender.
Comigo pelo menos não foi assim! Eu não fiquei pensando na lição positiva que poderia tirar daquele momento de dor, foi como um click, como um despertar...
Simplesmente olhei para trás e percebi o rastro feio que estava deixando, os frutos negativos que vinha plantando.

E foi assim que "desabrochei"...
Hoje, percebo que passei a enxergar as coisas por um outro ângulo, o ângulo do meu próximo. "Do cacete" isso né?!

Infelizmente não se aprende com as coisas boas, não sei exatamente o porque disso, particularmente, eu só aprendo com a dor, com as experiências negativas. Na minha vida, as coisas boas servem para me dar prazer, um complemento mesmo, do tipo, momentos bons são para as risadas, mas são as dores que constroem e construirão quem eu realmente sou e serei.

Claro que um acontecimento negativo muito chocante, muito drástico, te faz perder o equilíbrio, o rumo, o chão... e comigo não foi diferente! (neste momento refiro-me a notícia da doença de papai que foi e ainda é algo muito pesado para todos nós, especialmente para mim que sempre vivi assombrada com a idéia de poder perdê-lo um dia).
Alias, não foi e nem é nada fácil, porém vou falar no passado pois essa eu já consegui superar, ou seja, dessa só tenho colhido "bons frutos" hoje em dia! :)
As consequências foram sentidas no meu emocional e no meu físico também...
Não magoei apenas pessoas, eu me feri e muito!
Quando você não está preparado para a dor, para perda, você reage de maneira totalmente inconsequente, eu diria. É involuntário, porém tem consequências...
Mágoas foram causadas, dores foram provocadas e sentidas, por mim e pelas pessoas ao meu redor e nem sempre as pessoas estão dispostas a aceitar isso, nem acho que devam aceitar! Com isso, "inimizades" foram construídas!
Marcas aparentemente indestrutíveis, mas graças a Ele, "alguém apertou o botão do click" e as coisas começaram tomar outro rumo.
Passei encarar a vida com outros olhos, comecei ver tudo colorido novamente. Comecei enxergar que existiam pessoas ao meu redor...

O perdão foi pedido e principalmente concedido!!! Aleluia!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Essa semana tive uma experiência muito bonita, algo relacionado a transformação do meu coração. Relacionado ao desabrochar da minha alma...
Aliás, me perdoem pela falta de modéstia eu tenho sentido um certo orgulho de mim sabe?! Acho que estou conseguindo fazer algumas coisas de maneira correta.

Sabe o que é mais bacana? É que eu tenho conseguido consertar. Não tem sido irreparável e de tudo, isso é o que mais tem me emocionado!
Obrigada Deus! :)

Definitivamente, pensando bem, não mudaria mesmo nada! E depois disso tudo acabei de concluir mais uma coisa: Não houveram pessoas más....................



Este post é dedicado a todos que estiveram, estão ou estarão na minha vida...


Obs.: Anna Carolina, este post foi feito especialmente para você! ;)
Obs2.: Fabíola te peguei né? Pensou que fosse mais um texto melodramático a respeito de amor... he he he


"Responda rapidamente: quem você deletaria de sua memória sem pestanejar? Proponho que você anote esse nome em um papel e vá assistir a O Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, que levanta uma questão na qual (quase) nunca pensamos: existem memórias ruins?

Joel (Jim Carrey) é um cara tímido que arruma uma namorada, Clementine (Kate Winslet), cuja personalidade é oposta à dele. Mesmo assim, os dois começam a namorar e, juntos, constroem uma história. Nenhuma novidade até aqui: quantos filmes têm um casal protagonista? Milhões. Só que Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças não é como qualquer um desses que você deve ter imaginado.

Depois que Joel e Clementine terminam, ela resolve contratar a empresa do doutor Howard Mierzwaik (Tom Wilkinson), que oferece um serviço um tanto quanto peculiar: ele desenvolveu uma técnica que deleta, literalmente, alguém de suas lembranças. Os técnicos – vividos por Kirsten Dunst, Mark Ruffalo e Elijah Wood – entram na mente do contratante e apagam qualquer lembrança existente relacionada à pessoa escolhida. Clementine, claro, pede que eliminem Joel de sua vida. Quando ele descobre a tramóia, não pensa duas vezes e contrata a empresa para fazer o mesmo serviço em sua mente, desta vez eliminando a ex-namorada.

O roteiro de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças é louco e muito bem amarrado. Trabalho de Charlie Kaufman (responsável pelas histórias dos não menos alucinados Adaptação e Quero Ser John Malkovich), que mostra ser um verdadeiro aficionado pelos mistérios da mente humana. Enquanto que Kaufman nos mostra seu mapa das lembranças humanas, Michel Gondry – que já dirigiu alguns dos melhores e mais loucos clipes da islandesa Björk – nos guia pela mente de Joel. Vale também destacar a performance do (ex?) comediante Jim Carrey que, mais uma vez se aventurando no gênero dos longas dramáticos, se sai muito bem, assim como Kate Winslet – mas isso não é novidade para ninguém, a inglesa já provou ser mais do que “a mocinha do Titanic”.

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças não é somente uma experiência que brinca com a mente humana: é um filme triste. Portanto, se você resolver assisti-lo (e eu recomendo que realmente vá), prepare-se para ter vontade de entrar em suas próprias lembranças, buscando pessoas que passaram por sua vida e estão escondidos em cantos isolados de sua mente. E, claro, chegar à conclusão de que nenhum relacionamento é tão ruim a ponto de merecer ser sumariamente deletado da memória."

terça-feira, 24 de março de 2009

Chão de giz...


Essa música marcou absurdamente uma fase da minha vida, mais precisamente 1996.
O ano de Renato Sales...
Renato Sales, onde será que anda essa pessoa hoje gente?
Nosso amigo bem mais velho! O amigo do Cléber, do Rubinho, da Ceiça e da Déa.
O bonitão sempre antenado que também nos apresentou "SADE".
Sim, ele era um ícone para todos nós, sem contar que esbanjava simpatia e com isso todo mundo adorava o Renato...
O gerentão que aos 36 anos de idade exibia um sorrisão prateado. Sorriso este, que naquela época foi sem dúvida responsável por arrancar suspiros de muitas por onde ele passava...
É, só dava ele, seus ternos e o tal aparelho...
Sem dúvida alguma, 1996 foi o ano do Sr. Renato Sales.
Por onde andará essa pessoa??? Fazendo as contas agora, me dei conta que ele anda beirando os 50...

"Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre
Um Chão de Giz
Há meros devaneios tolos
A me torturar
Fotografias recortadas
Em jornais de folhas
Amiúde!
Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes...

Disparo balas de canhão
É inútil, pois existe
Um grão-vizir
Há tantas violetas velhas
Sem um colibri
Queria usar quem sabe
Uma camisa de força
Ou de vênus
Mas não vou gozar de nós
Apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom...

Agora pego
Um caminhão na lona
Vou a nocaute outra vez
Prá sempre fui acorrentada
No seu calcanhar
Meus vinte anos de "boy"
That's over, baby!
Freud explica...

Não vou me sujar
Fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes
Já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo
É assunto popular...

No mais estou indo embora!
No mais estou indo embora!
No mais estou indo embora!
No mais!..."


Zé Ramalho
Composição: Zé Ramalho