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domingo, 4 de dezembro de 2011

Entrevista - Reynaldo Gianecchini

MUITO FORTE!!! Ainda não tinha visto...
Primeiramente, ao receber a notícia, ela faz você desmoronar...
Num segundo momento, ela faz você enxergar a força que JAMAIS imaginou ter...
E ao final, três certezas: impossível ser o mesmo de antes, impossível sair ileso dela e, certamente, um olhar sob uma nova perspectiva de vida!


FORÇA GIANECCHINI!!!


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Amputações...


"Quando o filme 127 Horas estreou no cinema, resisti à tentação de assisti-lo. Achei que a cena da amputação do braço, filmada com extremo realismo, não faria bem para meu estômago. Mas agora que saiu em DVD, corri para a locadora. Em casa eu estaria livre de dar vexame.

Quando a famosa cena se iniciasse, bastaria dar um passeio até a cozinha, tomar um copo d´água, conferir as mensagens no celular, e então voltar para a frente da TV quando a desgraceira estivesse consumada. Foi o que fiz.

O corte, o tão famigerado corte, no entanto, faz parte da solução, não do problema. São cinco minutos de racionalidade, bravura e dor extremas, mas é também um ato de libertação, a verdadeira parte feliz do filme, ainda que tenhamos dificuldade de aceitar que a felicidade pode ser dolorosa. É muito improvável que o que aconteceu com o Aron Ralston da vida real (interpretado no filme por James Franco) aconteça conosco também, e daquele jeito.

Mas, metaforicamente, alguns homens e mulheres conhecem a experiência de ficar com um pedaço de si aprisionado, imóvel, apodrecendo, impedindo a continuidade da vida. Muitos tiveram a sua grande rocha para mover e, não conseguindo movê-la, foram obrigados a uma amputação dramática, porém necessária.

Sim, estamos falando de amores paralisantes, mas também de profissões que não deram retorno, de laços familiares que tivemos de romper, de raízes que resolvemos abandonar, cidades que deixamos. De tudo que é nosso, mas que teve que deixar de ser, na marra, em troca da nossa sobrevivência emocional. E física, também, já que insatisfação é algo que debilita.

Depois que vi o filme, passei a olhar para pessoas desconhecidas me perguntando: qual será a parte que lhes falta? Não o “Pedaço de Mim” da música do Chico Buarque, aquela do filho que já partiu, mutilação mais arrasadora que há, mas as mutilações escolhidas, o toco de braço que tiveram que deixar para trás a fim de começarem uma nova vida.

Se eu juntasse alguns transeuntes, aleatoriamente, duvido que encontrasse um que afirmasse: cheguei até aqui sem nenhuma amputação autoprovocada. Será? Talvez seja um sortudo. Mas é mais provável que tenha faltado coragem.

Às vezes o músculo está estendido, espichado, no limite: há um único nervo que nos mantém presos a algo que não nos serve mais, porém ainda nos pertence. Fazer o talho sangra. Machuca. Dói de dar vertigem, de fazer desmaiar. E dói mais ainda porque se sabe que é irreversível. A partir dali, a vida recomeçará com uma ausência.

Mas é isso ou morrer aprisionado por uma pedra que não vai se mover sozinha. O tempo não vai mudar a situação. Ninguém vai aparecer para salvá-lo. 127 horas, 2.300 horas, 6.450 horas, 22.500 horas que se transformam em anos.

Cada um tem um cânion pelo qual se sente atraído. E um cânion do qual é preciso escapar."


(Martha Medeiros)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O medo de errar...

"A gente é a soma das nossas decisões.


É uma frase da qual sempre gostei, mas lembrei dela outro dia num local inusitado: dentro do súper. Comprar maionese, band-aid e iogurte, por exemplo, hoje requer expertise. Tem maionese tradicional, light, premium, com leite, com ômega 3, com limão, com ovos “free range”. Band-aid, há de todos os formatos e tamanhos, nas versões transparente, extratransparente, colorido, temático, flexível.


Absorvente com aba e sem aba, com perfume e sem perfume, cobertura seca ou suave. Creme dental contra o amarelamento, contra o tártaro, contra o mau hálito, contra a cárie, contra as bactérias. É o melhor dos mundos: aumentou a diversificação. E com ela, o medo de errar.


Assim como antes era mais fácil fazer compras, também era mais fácil viver. Para ser feliz, bastava estudar (magistério para as moças), fazer uma faculdade (Medicina, Engenharia ou Direito para os rapazes), casar (com o sexo oposto), ter filhos (no mínimo dois) e manter a família estruturada até o fim do dias. Era a maionese tradicional.


Hoje, existem várias “marcas” de felicidade. Casar, não casar, juntar, ficar, separar. Homem com mulher, homem com homem, mulher com mulher. Ter filhos biológicos, adotar, inseminação artificial, barriga de aluguel – ou simplesmente não tê-los.


Fazer intercâmbio, abrir o próprio negócio, tentar um concurso público, entrar para a faculdade. Mas estudar o quê? Só de cursos técnicos, profissionalizantes e universitários, há centenas. Computação Gráfica ou Informática Biomédica? Editoração ou Ciências Moleculares? Moda, Geofísica ou Engenharia de Petróleo?


A vida padronizada podia ser menos estimulante, mas oferecia mais segurança, era fácil “acertar” e se sentir um adulto. Já a expansão de ofertas tornou tudo mais empolgante, só que incentivou a infantilização: sem saber ao certo o que é melhor para si, surgiu o medo de crescer.


Todos parecem ter 10 anos menos. Quem tem 17, age como se tivesse 7. Quem tem 28, parece ter 18. Quem tem 39, vive como se fossem 29. Quem tem 40, 50, 60, mesma coisa. Por um lado, é ótimo ter um espírito jovial e a aparência idem, mas até quando se pode adiar a maturidade?



Só nos tornamos verdadeiramente adultos quando perdemos o medo de errar. Não somos apenas a soma das nossas escolhas, mas também das nossas renúncias. Crescer é tomar decisões e, depois, conviver pacificamente com a dúvida. Adolescentes prorrogam suas escolhas porque querem ter certeza absoluta – errar lhes parece a morte.



Adultos sabem que nunca terão certeza absoluta de nada, e sabem também que só a morte física é definitiva. Já “morreram” diante de fracassos e frustrações, e voltaram pra vida. Ao entender que é normal morrer várias vezes numa única existência, perdemos o medo – e finalmente crescemos."




(Martha Medeiros)



sábado, 15 de maio de 2010

Saudades...

"Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...

Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!

Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência..."

Clarice Lispector

sábado, 11 de abril de 2009

Para que servem as recordações...


Hoje eu estava a fim de escutar Cazuza. Coloquei um cd que não era para ser, mas já que foi...
Explico, este cd tem uma peculiaridade. Ele tem Raul Seixas, mais precisamente a música TENTE OUTRA VEZ e esta não é uma música qualquer para mim, por este motivo, evito toca-lo.
Não foi realmente de propósito porém acho que era para ser hoje o dia de ouvir este CD.
Sabe aquele CD que não é para todas as horas? É apenas para aqueles dias que você está a fim de "nostalgiar", sabe como é? Confesso que para mim "nostalgiar" é uma faca de dois gumes, perigoso até eu diria, pois tenho forte tendência a ficar deprê e por incrível que pareça não foi o que aconteceu.
Foi totalmente impensado, quando percebi já estava tocando Raul. Não tinha como voltar atrás mesmo sabendo que ele iria "tirar da gaveta meus panos de guardar confetes".
Raul Seixas foi muito feliz ao escrever esta eltra e minha amiga Elaine foi muito feliz ao dedica-la a mim em 1993.
1993! Um ano em que ainda se escreviam cartas em papel e foi numa dessas cartas, mais precisamente em 09/10/93 que Elaine me dedicou esta música.
Dois anos antes tinha sofrido uma perda aparentemente irreparável, tinha perdido "meu grande amor".
Sabe aquele amor que projetamos tudo? Casamento, filhos e a tal famosa frase até que a morte nos separe? Então, claro que não aconteceu, afinal éramos jovens demais, mas as consequências do término desse namoro foram sentidas pela Elaine, sem dúvida alguma. Coitada da Elaine!!! Da Elaine e do Gugu... hahahahaha
Ah o Gugu! Quanta saudade desse menino! Ele num desespero totalmente compreensível, tentou me apresentar todos os seus amigos para ver se tinha um momento a sós com sua gata loira de olhos azuis...ledo engano!
Ninguém era capaz de fazer a Maçãzinha sair daquela inércia...apenas o Raul!

Por isso, no post anterior eu coloquei a música do sábio Raul Seixas.
Que letra! Tão profunda e tão positiva... parecia que o Raul tinha escrito para mim. Me apeguei a esta canção como se fosse a solução, um amuleto. Todas as vezes que eu pensava em ficar triste eu ia ler a tal cartinha...acho que nem a Elaine sabe da importância desse manuscrito na minha vida

Cheguei em casa e corri para minha caixinha de recordações. Uma velha caixa de bombons que carrega dentro dela velhas lembranças...
Estou aqui nostálgica porém feliz de poder dividir isso com vocês. Na verdade, estamos aqui, eu e a cartinha amarelada pelo tempo, eu com algumas cicatrizes e ela com alguns rasguinhos, porém resistente! Resistente como minhas lembranças...

Fiquei nostálgica sim, porém estou feliz! E percebi que estou pronta para dividir esta canção com outros tantos que se encontram como eu estava...
Portanto, dedico sem ciúmes o post anterior contendo a letra da música TENTE OUTRA VEZ a todas as pessoas que estão precisando de "um amuleto".
Leiam com bastante atenção cada palavra contida nesta letra tentando absorver o seu significado.
Leiam, reflitam e entendam que temos dois pés para cruzar a ponte...
Só depende de nós TENTAR OUTRA VEZ!!!


As recordações servem para isso...
Para que possamos enxergar que é de batalhas que se vive e se faz a vida!

Essa sem dúvida foi durante um bom tempo a minha música...

PEACE

Elaine esse post é dedicado a você!
SAUDADES!!! "A distância não separa os amigos..."