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domingo, 6 de novembro de 2011

Zélia cantando "Saúde" de Rita Lee



Saúde

Me cansei de lero-lero
Dá licença mas eu vou sair do sério
Quero mais saúde
Me cansei de escutar opinião de como ter um mundo melhor

Mas ninguém sai de cima nesse chove-não-molha
Eu sei que agora
Eu vou é cuidar
Mais de mim!...

Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh!

Como vai? Tudo bem!
Apesar, contudo
Todavia, mas, porém
As águas vão rolar
Não vou chorar
Não!
Se por acaso morrer
Do coração...

É sinal que amei demais

Mas enquanto estou viva
Cheia de graça
Talvez ainda faça
Um monte de gente feliz...


Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!


Como vai? Tudo bem!
Apesar, contudo
Todavia, mas, porém
As águas vão rolar
Não vou chorar
Não!

Se por acaso morrer
Do coração...

É sinal que amei demais

Mas enquanto estou viva
Cheia de graça
Talvez ainda faça
Um monte de gente feliz...


(Rita Lee)


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Amputações...


"Quando o filme 127 Horas estreou no cinema, resisti à tentação de assisti-lo. Achei que a cena da amputação do braço, filmada com extremo realismo, não faria bem para meu estômago. Mas agora que saiu em DVD, corri para a locadora. Em casa eu estaria livre de dar vexame.

Quando a famosa cena se iniciasse, bastaria dar um passeio até a cozinha, tomar um copo d´água, conferir as mensagens no celular, e então voltar para a frente da TV quando a desgraceira estivesse consumada. Foi o que fiz.

O corte, o tão famigerado corte, no entanto, faz parte da solução, não do problema. São cinco minutos de racionalidade, bravura e dor extremas, mas é também um ato de libertação, a verdadeira parte feliz do filme, ainda que tenhamos dificuldade de aceitar que a felicidade pode ser dolorosa. É muito improvável que o que aconteceu com o Aron Ralston da vida real (interpretado no filme por James Franco) aconteça conosco também, e daquele jeito.

Mas, metaforicamente, alguns homens e mulheres conhecem a experiência de ficar com um pedaço de si aprisionado, imóvel, apodrecendo, impedindo a continuidade da vida. Muitos tiveram a sua grande rocha para mover e, não conseguindo movê-la, foram obrigados a uma amputação dramática, porém necessária.

Sim, estamos falando de amores paralisantes, mas também de profissões que não deram retorno, de laços familiares que tivemos de romper, de raízes que resolvemos abandonar, cidades que deixamos. De tudo que é nosso, mas que teve que deixar de ser, na marra, em troca da nossa sobrevivência emocional. E física, também, já que insatisfação é algo que debilita.

Depois que vi o filme, passei a olhar para pessoas desconhecidas me perguntando: qual será a parte que lhes falta? Não o “Pedaço de Mim” da música do Chico Buarque, aquela do filho que já partiu, mutilação mais arrasadora que há, mas as mutilações escolhidas, o toco de braço que tiveram que deixar para trás a fim de começarem uma nova vida.

Se eu juntasse alguns transeuntes, aleatoriamente, duvido que encontrasse um que afirmasse: cheguei até aqui sem nenhuma amputação autoprovocada. Será? Talvez seja um sortudo. Mas é mais provável que tenha faltado coragem.

Às vezes o músculo está estendido, espichado, no limite: há um único nervo que nos mantém presos a algo que não nos serve mais, porém ainda nos pertence. Fazer o talho sangra. Machuca. Dói de dar vertigem, de fazer desmaiar. E dói mais ainda porque se sabe que é irreversível. A partir dali, a vida recomeçará com uma ausência.

Mas é isso ou morrer aprisionado por uma pedra que não vai se mover sozinha. O tempo não vai mudar a situação. Ninguém vai aparecer para salvá-lo. 127 horas, 2.300 horas, 6.450 horas, 22.500 horas que se transformam em anos.

Cada um tem um cânion pelo qual se sente atraído. E um cânion do qual é preciso escapar."


(Martha Medeiros)

domingo, 9 de outubro de 2011

Visita...


"Eu sei que não foi você que desarrumou minha vida e fez essa bagunça toda que tive que arrumar gradualmente enquanto cuspia minha raiva, minha dor, mas, por favor, para entrar aqui agora é preciso pés descalços e nenhuma armadura. É por eu não ter deixado de confiar nas pessoas que te peço isso. Não existe tristeza em mais nenhum canto desta casa, tudo foi limpo e adornado com amor, saiba receber esta dádiva. Não quero saber agora o que você traz do seu passado enquanto a água do chá ferve, e também não me pergunte o que me aconteceu para que eu esteja assim, tão direta. É possível que eu te convide pra dormir aqui esta noite ou te mande embora às três da manhã, espero que não se aborreça ou crie expectativas enquanto ponho a erva doce na água quente. Eu não tenho açúcar, empedrou desde que. Enfim, você quer com ou sem adoçante? Não me prometa nada, eu vivo um dia de cada vez, só tenho memória recente. Sobre ontem, pouco lembro, sei que fui dormir e antes conferi se todas as portas estavam trancadas e se eu estava feliz. Também sei que ainda era cedo, e que fazia muito frio. Mas, sim, eu estava feliz.
Vou deixar apenas a luz do abajur acesa, e o seu cd de jazz tocando bem baixinho pra que eu escute como foi seu dia e o que você gosta de ler. Não é que eu não goste de me expor, mas a semana passada já faz muito tempo pra mim. Mas se te interessa saber, meu coração está desocupado e eu gosto quando você me abraça forte. Talvez isto seja o suficiente para que você chegue mais perto de mim e conviva sem se incomodar com o silêncio que eu carrego nos olhos. O que me atraiu em você foi a sua beleza física com esta sensibilidade e inteligência juntas.Mas aprendi a descartar até essas qualidades em um homem se não houver essa nudez de alma. Os inteligentes podem ser muito espertos e cruéis. Os bonitos podem ser uns tolos. E os sensíveis, muito dramáticos. Eu não estou endurecida, só aprendi a observar com certa malícia, preservo minha inocência, mas me arrancaram a ingenuidade à força, disso eu lembro. Não me fizeram mal algum, nada que não houvesse a permissividade da minha carência. A responsabilidade também foi minha. Você está confortável nesta posição? Aprendi a me enroscar num outro corpo como se eu fosse uma extensão dele. Eu gosto de me aninhar no afeto, nasci para ser acariciada antes, durante e depois do sexo. Mas hoje talvez eu queira que você vá pro seu apartamento_ me deu vontade de escrever alguma coisa sobre a sua voz, antes que ela fique no passado."

Se quiser esquecer seu cd, talvez eu te convide pra jantar amanhã. E te leia alguma coisa mais doce que aquele açúcar empedrado. É que eu ainda não esqueci como se escreve o começo de um romance. Só aprendi que o interesse do leitor vai depender da minha primeira frase.

Então eu prefiro que você volte amanhã. É que eu preciso sentir saudade antes de me apaixonar."
(Marla de Queiroz)



Ela, simplesmente, incrível!!!

sábado, 1 de maio de 2010

Boneca de pano...

“Filha única? Deve ter sido muito mimada...”.
“Bonequinha de porcelana do papai e da mamãe”

Hoje eu li um texto da Clarice Lispector que falava exatamente sobre isso.
A partir daí, foi que senti vontade de fazer esse texto.
E o que isso tem a ver com o título?!?
Bem, se existe uma coisa que eu descobri a meu respeito, é que nem de longe eu sou de porcelana...
Descobri com os últimos acontecimentos da minha vida, sendo este último o pior possível, que com todas essas feridas e cicatrizes que possuo hoje, estou mais para boneca de pano. A boneca que é rasgada, costurada, puída e às vezes até sem mais condição de uso, mas permanece ali, no seu papel de boneca de pano.

Faltam quatro dias para completar um mês da sua partida e eu refleti muito sobre isso que li e percebi que não vou te trazer de volta mesmo que tivesse que dar minha vida por isso e o Sr. sabe ou soube, nem sei como me referir ao Sr. hoje, que faria isso sem pensar duas vezes! Mas não posso...
Porém, recomeçar é preciso!
Existem pessoas ao meu redor que estão sofrendo junto comigo.
Familiares, amigos e até desconhecidos fazendo de tudo para me levantar e fazer enxergar alguma luz no fim desse buraco negro que se abriu dentro de mim...
Confesso que não vejo nada na minha frente. Mas, recomeçar é preciso...

Acho que é exatamente nessas horas que a expressão “PAPAI MUNDO VAI ENSINAR”, se torna real.
Nós, “as bonecas de porcelana”, tomamos ciência de que a realidade é completamente diferente...
Não temos controle sobre absolutamente NADA, nem sobre a nossa própria vida!
Como autêntica suicida que sou não vou mentir dizendo que estou animada, ou estou voltando pra vida! Muito pelo contrário!
Quero deixar claro que não é por opção esse recomeço e sim por falta de...

Estarei eternamente de luto meu pai! ETERNAMENTE...
Embora o Sr. não gostasse de ouvir isso, eu nunca disse que seria diferente do que tem sido.
Eu sabia que seria assim!
Nossa ligação era absurda, compatibilidade total e afinidade ímpar nos fazia muito mais do que PAI e FILHA...
Nós éramos incríveis juntos!
Mas, recomeçar é preciso...

Por este amor que sinto pelo Sr. e por todas as nossas conversas é que vou seguir deixando claro, que minha vida NUNCA mais será completa e muito menos sentirei felicidade absoluta!
Jamais te esquecerei... JAMAIS!!!

Vou seguir meu caminho na certeza de que um dia irei te reencontrar novamente...
Pois se preciso de uma motivação, aí está!

Com o mesmo amor INCONDICIONAL de sempre,

Sua única filha, mimada e muito amada!


“Ela, na sua magnífica força e coragem,
aprendeu a ser livre;
a gritar quando tem vontade,
a chorar quando precisar chorar
e a sorrir mesmo quando a situação não permitir sorrir.

E, perante os olhos intimadores dos
homens e de tamanha curiosidade,
ela levantou a cabeça e mostrou
que não era uma boneca de porcelana,
mas que podia ser quebrada várias vezes
e que sempre conseguia se juntar
sem perder nenhum dos pedaços.”

(Clarice Lispector)