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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Amar é Punk...






Eu já passei da idade de ter um tipo físico de homem ideal para eu me relacionar. Antes, só se fosse estranho (bem estranho). Tivesse um figurino perturbado. Gostasse de rock mais que tudo. Tivesse no mínimo um piercing (e uma tatuagem gigante). Soubesse tocar algum instrumento. E usasse All Star. Uma coisa meio Dave Grohl.

Hoje em dia eu continuo insistindo no quesito All Star e rock´n roll, mas confesso que muita coisa mudou. É, pessoal, não tem jeito. Relacionamento a gente constrói. Dia após dia. Dosando paciência, silêncios e longas conversas.

Engraçado que quando a gente pára de acreditar em “amor da vida”, um amor pra vida da gente aparece. Sem o glamour da alma gêmea. Sem as promessas de ser pra sempre. Sem borboletas no estômago. Sem noites de insônia. É uma coisa simples do tipo: você conhece o cara. Começa, aos poucos, a admirá-lo. A achá-lo FODA.

E, quando vê, você tá fazendo coraçãozinho com a mão igual uma pangaré. (E escrevendo textos no blog para que ele entenda uma coisa: dessa vez, meu caro, é DIFERENTE).

Adeus expectativas irreais, adeus sonhos de adolescente. Ele vai esquecer todo mês o aniversário de namoro, mas vai se lembrar sempre que você gosta do seu pão-de-sal bem branco (e com muito queijo).

Ele não vai fazer declarações românticas e jantares à luz de vela, mas vai saber que você está de TPM no primeiro “Oi”, te perdoando docemente de qualquer frase dita com mais rispidez.

Ah, gente, sei lá. Descobri que gosto mesmo é do tal amor. DA PAIXÃO, NÃO. Depois de anos escrevendo sobre querer alguém que me tire o chão, que me roube o ar, venho humildemente me retificar. EU QUERO ALGUÉM QUE DIVIDA O CHÃO COMIGO.

QUERO ALGUÉM QUE ME TRAGA FÔLEGO. Entenderam? Quero dormir abraçada sem susto.

Quero acordar e ver que (aconteça o que acontecer), tudo vai estar em seu lugar. Sem ansiedades. Sem montanhas-russas.

Antes eu achava que, se não tivesse paixão, eu iria parar de escrever, minha inspiração iria acabar e meus futuros livros iriam pra seção B da auto-ajuda, com um monte de margaridinhas na capa. Mas, CARAMBA! Descobri que não é nada disso. Não existe nada mais contestador do que amar uma pessoa só.

Amar é ser rebelde. É atravessar o escuro. É, no meu caso, mudar o conceito de tudo o que já pensei que pudesse ser amor. Não, antes era paixão. Antes era imaturidade.

Antes era uma procura por mim mesma que não tinha acontecido.

Sei que já falei muito sobre amor, acho que é o grande tema da vida da gente. Mas amor não é só poesia e refrões. Amor é RECONSTRUÇÃO. É ritmo. Pausas. Desafinos. E desafios.

Demorei anos pra concordar com meu querido (e sempre citado) Cazuza: “eu quero um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida”.

Antes, ao ouvir essa música, eu sempre pensava (e não dizia): porra, que tédio!

Ah, Cazuza! Ele sempre soube. Paixão é para os fracos. Mas amar - ah, o amor!

- AMAR É PUNK."


(Fernanda Mello)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Dar não é fazer amor...

"O que escrever para a próxima coluna? Listo prováveis assuntos: o mercado de trabalho, homens que cospem catarros horrorosos pelas ruas, minha bunda, sexo sem amor, a necessidade de ter alguém pra chamar de amor.


Demoro um dia inteiro para me decidir porque sou indecisa. Não me decido por nenhum porque sou possessiva e filha única: quero todos. Então vamos lá, seguindo a ordem.

Existe um boato por aí que publicitário tem a vida mansa e que todos eles são meio loucos. Isso dá uma coceirinha nos estudantes que acham esse papo muito cool e se matriculam aos montes pelas faculdades do país. Sou redatora publicitária e há dois anos e meio não tenho um salário decente apesar das mais de doze horas trabalhadas por dia. Já mudei de agência seis vezes e já mudei de assunto mais de mil quando amigos e parentes perguntam por que eu não tenho um horário fixo, um salário fixo e um lugar fixo para ir todos os dias. Aturo a crise mundial, a crise do país, a crise do mercado, a crise do mercado publicitário e a crise de meia-idade de colegas de trabalho com seus leões na mesa, suas baleias em casa e a tara por jovenzinhas deslumbradas e em aprendizado.

O boato da loucura é realidade, ninguém normal atura isso tudo.
Quanto a ter a vida mansa, que vão todos para a merda antes que eu me esqueça.


Não sei de muitas coisas nesta vida, mas aprendi que entre a paixão e o ódio pela propaganda, tem sempre um catarro. Vou andando pelas ruas pensando em todos os lados bons e ruins da minha profissão: eu crio, eu não tenho um trabalho burocrático, chato, operacional, burro, exato. Eu movimento grana, eu emociono, eu faço as pessoas rirem. Plá, uma catarrada. Eu ganho mal, me deram uma porra de um PC em vez de um Mac, eu fico muito tempo sentada e minha bunda tá horrível, plá, outra catarrada.

Por que diabos esses imundos homens cospem essas melequeiras pelas ruas? Por que diabos? Por que diabos? Como eu odeio isso. ODEIO. Onde está escrito que o mundo permite essa escatologia exposta à luz do dia? Às vezes é preciso desviar para não sentir respingarem resquícios da nojeira no peito do pé. Desejo do fundo do meu coração que todos eles sufoquem entalados com suas crias gosmentas e fiquem tão verdes quanto elas.


Mas ainda mais nojento do que escutar aquela chupada suína que precede o plá da catarrada, é escutar o sugar de tesão de um escroto qualquer que você nunca viu na vida. É aquele "ssssssssss delícia", "ufffffffffffffffff gostosa".


Não se anime não, seu neanderthal urbano, que o que você está vendo é apenas o poder de uma calça jeans caríssima, que uma redatora publicitária em começo de carreira com seu salário de merda só pode ter comprado em cinco vezes sem juros. Cê não tá vendo, querido, que por trás disso é apenas a bunda de uma redatora publicitária que sofre várias crises de mercado e não tem tempo para uma academia? Tá caída, mermão! Já não é mais a mesma. Aliás, isso me lembrou a propaganda, mas este assunto já deu.


E por falar em dar... dar não é fazer amor. Dar é dar. Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido, mas dar é bom pra cacete. Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca, te chama de nomes que eu não escreveria, não te vira com delicadeza, não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom. Melhor do que dar, só dar por dar. Dar sem querer casar, sem querer apresentar pra mãe, sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo. Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral, te amolece o gingado, te molha o instinto. Dar porque a vida de uma publicitária em começo de carreira é estressante e dar relaxa. Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã. Tem caras que você vai acabar dando, não tem jeito. Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro.



Dar é bom. Na hora. Durante um mês. Para as mais desavisadas, talvez por anos. Mas dar é dar demais e ficar vazia. Dar é não ganhar. É não ganhar um "eu te amo" baixinho, perdido no meio do escuro. É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir. É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: "Que cê acha, amor?". Dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito. Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor, esse sim é o maior tesão. Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar o suficiente pra nem perceber as catarradas na rua" - (Tati Bernardi)


Há muito tempo eu já havia postado parte deste texto da Tati Bernardi.
Hoje encontrei-o completo e resolvi polstá-lo novamente.
Acho SENSACIONAL! Acho INCRÍVEL  e VERDADEIRO de acordo com as minhas convicções!
Acho MUITO Tati Bernardi, debochada e escrachada na medida exata sem perder a "doçura contemporânea" que tem sido motivo de seu crescimento. Por isso tudo e por muito  mais, achei que ele merecia estar novamente aqui no meu blog, e dessa vez, por inteiro...

Salve @Tati_Bernardi !!!

sábado, 30 de maio de 2009

Divã...


É eu sei, um pouco tarde para quem é fã incondicional de Martha Medeiros. Porém tenho uma justificativa bastante coerente e compreensível...

Como eu disse, Martha não é uma escritora qualquer para mim. Seus textos mexem muito comigo, muito mesmo, vocês nem imaginam!
Bem, pelos posts anteriores vocês poderão observar que não andava muito bem, aliás nada bem e sabia que não tinha a menor condição de assistir Divã mal do jeito que estava, certamente eu sairia "pior" e entraria numa bolha de questionamentos sobre "ser/estar" infindável...
Seria o Caos total! Quase um suicído, uma auto destruição mesmo. (risos)
Quando escrevo isso, não é num sentido ruim.
O sentido de ser destrúida por um texto, filme ou qualquer coisa do gênero, é bem mais assustador...
É ter o interior exposto, a "hipocrisia desnudada", é ser desvendado, descoberto...

Enfim, precisava estar preparada psicologicamente para assisti-lo, precisei criar coragem para ir de peito aberto e pronta para as "porradas" que levaria.
Fomos quinta-feira, eu e minha irmã que também é minha parceira na hora das choradeiras com os textos da Martha...
Foi uma experiência incrível! Saímos dali de alma lavada e claro, chorando horrores como sempre acontece ao término dos seus textos...

Não posso deixar de comentar duas partes do filme.
A primeira, é aquela amizade entre a Mônica e a Mercedes. Lindo! Uma amizade como a nossa. Singela e verdadeira! (A Márcia disse que se eu fizer o que a Mônica fez, ela me enfia a porrada e vou para o caixão toda roxa... kkkkkkkkkkkkkkkkk), só para descontrair.

A segunda parte (e por isso a foto deste post), o diálogo final entre Mercedes e Gustavo, onde ela fala sobre o aprendizado dela com a morte de Mônica. O medo de deixar de falar o fundamental, de deixar pendências na vida...
Perfeito demais!!! Uma cena para se aplaudir de pé!(Chego ficar sem fôlego só de pensar nessa parte...)

Gente tenho tanta coisa para comentar sobre o filme...
O que seria a Mercedes feliz cortando o cabelo?
O que seria ela fumando um back?
O que seria ela na "vibe"?
O que seria ela tirando a meia de alta compressão?
O que seria ela deitada no chão deixando a chuva molhar seu corpo ao se "redescobrir" mulher?
O que seria ela andando com aquele vestido vermelho na cena final, poderosa e mais feminina do que nunca?

E para finalizar, o diálogo maduro e sincero entre Mercedes e Gustavo (já comentado acima).
Ela sabia que tinha um grande homem ao seu lado e também sabia que estava abrindo mão de uma "jóia".
Ela precisava falar o fundamental! Foi lá e não teve medo de se expor, falou para ele tudo o que estava sentindo. Mostrou que tinha ciúmes, mostrou que ainda tinha amor, sem vergonha, sem medo de ser julgada pois ela percebeu que não tinha a ver com o outro e sim com ela e que também poderia não ter mais tempo...


NÃO DEIXAR PENDÊNCIAS. Sem dúvida, uma das maiores lições deste filme!

Foi nítido o quanto eles rejuvenesceram, desabrocharam e principalmente amadureceram após a separação.
Eles tiveram coragem de parar na hora exata e não deixar a relação desgastar até chegar num ponto insustentável.
Aliás, definitivamente me convenci, de que amadurecer não tem a ver com a idade...
Uau! É para nos deixar nas nuvens mesmo, que lição!

Essa cena não poderia ser mais perfeita!
Eles se amavam porém não se completavam mais.
Também ficou claro que não é preciso odiar quem dividiu coisas tão profundas com você. Muito pelo contrário!
Por que temos que virar inimigos de quem foi por um período tão precioso nas nossas vidas? Ainda mais no caso deles que tinham construído laços não apenas afetivos, existiam frutos dessa relação, os filhos.
Óbvio que não é isso! Tem que ser muito medíocre para pensar assim não é não?!? (portanto, mais uma lição...eita!)

Bem, voltando ao diálogo, nesse pedaço também podemos observar que além da admiração, existia entre eles o principal, fundamental e cada vez mais escasso nas relações humanas: RESPEITO


RESPEITO!!!
É, tenho andado com a nítida sensação de que essa é uma palavra mais forte do que AMOR, pois a falta dele muda tudo!!!
Sem dúvida alguma eles não estariam sentados civilizadamente numa mesa se não houvesse respeito entre eles, mesmo se houvesse amor...

Sem dúvida no meu caso essa foi a maior lição que pude tirar do filme.
Já para minha irmã, creio que a lição foi poder testificar que é fundamental não sentir mais medo em falar o que é realmente fundamental!

Sim, eles eram de fato um para o outro, como um vestido Armani que ficou pequeno ou maior com o passar dos anos e já não lhes cabia mais tão bem...

Parabéns Lília Cabral! Você está magnífica neste papel... aliás, como sempre né?!
Agora, nesse papel de Mercedes você está simplesmente... EU! risos

Cada vez mais me convenço, de que os escritores, poetas famosos e não famosos e nem por isso menos talentosos, possuem mais do que o dom de brincar com as palavras... Eles são os únicos que possuem o dom de decifrar e "retratar" com exatidão o que vai no nosso interior. Nós até sabemos o que temos aqui dentro de nós, só não sabemos como exteriorizar...

Obrigada Deus por todos os escritores! :)

É, quero ir novamente!
Estou pronta para aprender novas lições e voltar para casa modificada. Para melhor, sem dúvida!!! Vou com aquele vestido vermelho usado só nas ocasiões mais que especiais... :)

Escrevi no meu orkut no dia que cheguei o seguinte:
"Hoje posso afirmar categoricamente que estou enfim "de alta" do meu analista. Totalmente livre das minhas neuroses, dos meus medos e o melhor sem nada pendente...
Só me resta o futuro!" - (por isso postei novamente o texto strip-tease, posso ir onde eu quiser pois não tem nada em mim pendente, nada em mim obscuro, estou completamente "nua" e pronta para ser mais feliz do que nunca!)

Que venha o futuro então!!!!!!!!!!!!!!