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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Dupla Falta...

" O belo texto do mineiro Rubem Alves sobre as diferenças entre o tênis e o frescobol (usadas como metáforas para o casamento) é tão conhecido que não seria absurdo supor que foi nele que a americana Lionel Shriver se inspirou para escrever seu recente lançamento, Dupla Falta. Se não foi, é um caso de feliz coincidência, ainda que de feliz sua obra não tenha nada.


A história do livro é razoavelmente simples: o encontro amoroso de uma tenista obstinada em subir posições no ranking com um tenista de talento mediano que vê o tênis apenas como um hobby. Ambos se apaixonam, casam e a partir daí o leitor se torna espectador de um texto que funciona como um jogo de final de campeonato, com cenas de alta tensão e competitividade extrema.


E, como todos sabem, tensão e competitividade combinam com amor tanto quanto cacos de vidro combinam com bebês.

Vibrar com o acerto do outro e pedir desculpas quando se erra: eis uma “relação frescobol”, em que o que interessa é manter a bola em jogo, com ambos se sentindo vencedores pelo simples fato de manterem o entendimento e a sincronia até o término da partida.


Não é o que se vê no livro.

Willy foi uma menina que aos cinco anos decidiu que seria a melhor tenista do planeta, e não fez outra coisa na vida a não ser lutar pelo seu lugar no pódio. Eric, por sua vez, cresceu fazendo de tudo um pouco e, quando resolve se aventurar no tênis, acaba naturalmente conquistando posições que a esposa sempre almejou. Logo ele, que nunca quis nada com as raquetes.

Quem esse diletante pensa que é para realizar um sonho que nunca foi dele, e sim dela?

O livro escancara traumas de infância, obsessões delirantes e a deterioração que o fracasso pode provocar em alguém que se leva a sério demais. Willy não tem um marido, e sim um adversário. E um adversário muito superior, não por ser melhor tenista do que ela - não é -, mas por dominar as regras do jogo da vida, que Willy nunca aprendeu.

A autora Lionel Shriver, que já tinha deixado o mundo literário de queixo caído com seu implacável Precisamos Falar Sobre Kevin, mais uma vez desnuda a perversidade escondida onde menos se espera: dentro das relações mais íntimas e nobres.

Os diálogos do livro são voleios ferozes, brutais. De certa forma, traduzem a sociedade atual, que exalta o sucesso como a única alternativa de existência, deixando todas as demais no limbo. Na impossibilidade de lutarmos contra nossas fraquezas, resta-nos a baixeza maior: se alegrar com a derrota alheia.

O livro confirma: a diferença entre ser um vencedor e um perdedor nunca esteve relacionada nem ao sucesso, nem ao fracasso. "

(Martha Medeiros)

Vingança...

"Muitas frases espirituosas já foram escritas a respeito de vingança. Gosto de uma que diz: “Contra quem lhe tomou sua esposa, não existe vingança melhor do que o infeliz ficar com ela pra sempre”. Vale para ambos os sexos, acrescento.


A vingança é uma atitude de mau humor, e o mau humor pode ser risível. Eu, ao menos, acho engraçado que alguém perca tempo se dedicando a se vingar do que quer que seja, deixando claro o quanto se sentiu ofendido. Há vingança melhor do que não dar a mínima?

Mas, para a maioria das pessoas, é difícil ficar indiferente diante de uma situação que, a priori, causou prejuízo. Até o Velho Testamento cita o “olho por olho” como forma de sanar o dano causado. Toma lá, dá cá. Aqui se faz, aqui se paga. Ok, mas me parece um desperdício de energia.

Não chego ao cúmulo de oferecer a outra face, que isso é coisa pra santo. Perdoo, mas me blindo. Se aprontou uma vez, aprontará outra. Fico na minha, me fortaleço e trato de viver cada dia melhor – nada irrita mais nossos inimigos.

Pesquisas indicam que as mulheres são mais vingativas do que os homens, o que nos faz descer alguns degraus, sustentando a teoria do sexo frágil. Transar com outro, sem estar a fim, só porque fomos traídas? Roubar o namorado da amiga porque ela ficou com nosso emprego? Espalhar boatos pela internet porque alguém foi desleal? É a confirmação da nossa pequeneza, que passa a se igualar à pequeneza de quem falhou conosco.

A iraniana Ameneh Bahrami, que no último domingo perdoou o homem que lhe jogou ácido no rosto, cegando-a, declarou que a clemência lhe fez bem. Ela o salvou minutos antes de ele próprio ter os olhos corroídos por ácido num hospital de Teerã. O médico já estava com o material na mão para consumar a vingança (autorizada pelas leis islâmicas). O agressor estava de joelhos, aos prantos, aguardando o pior, quando chegou o telefonema com o perdão da vítima.

Por que Ameneh desistiu de pagar na mesma moeda? Sei lá, talvez porque não foi um filho dela que o maluco cegou (mexam com nossas crias e bye bye superioridade), mas o mais provável é que o mal nunca tenha feito parte da sua natureza. Ela não quis ser como ele.

Dizem que se vingar dá uma sensação agradável, que a vingança é doce, traz consolo, segurança, que há até um componente erótico em sua consumação. Estão aí os defensores da pena de morte para confirmar o júbilo que a vingança provoca. Eu sigo achando que lutar por justiça é um dever, mas se vingar é tosco. Só é aceitável quando o destino é que se vinga por nós, sem que a gente suje as mãos. Há que se confiar na providência divina.

Já a vingança arquitetada é a infantilidade usando salto alto e batom, fingindo-se de gente grande."


(Martha Medeiros)




domingo, 9 de outubro de 2011

Visita...


"Eu sei que não foi você que desarrumou minha vida e fez essa bagunça toda que tive que arrumar gradualmente enquanto cuspia minha raiva, minha dor, mas, por favor, para entrar aqui agora é preciso pés descalços e nenhuma armadura. É por eu não ter deixado de confiar nas pessoas que te peço isso. Não existe tristeza em mais nenhum canto desta casa, tudo foi limpo e adornado com amor, saiba receber esta dádiva. Não quero saber agora o que você traz do seu passado enquanto a água do chá ferve, e também não me pergunte o que me aconteceu para que eu esteja assim, tão direta. É possível que eu te convide pra dormir aqui esta noite ou te mande embora às três da manhã, espero que não se aborreça ou crie expectativas enquanto ponho a erva doce na água quente. Eu não tenho açúcar, empedrou desde que. Enfim, você quer com ou sem adoçante? Não me prometa nada, eu vivo um dia de cada vez, só tenho memória recente. Sobre ontem, pouco lembro, sei que fui dormir e antes conferi se todas as portas estavam trancadas e se eu estava feliz. Também sei que ainda era cedo, e que fazia muito frio. Mas, sim, eu estava feliz.
Vou deixar apenas a luz do abajur acesa, e o seu cd de jazz tocando bem baixinho pra que eu escute como foi seu dia e o que você gosta de ler. Não é que eu não goste de me expor, mas a semana passada já faz muito tempo pra mim. Mas se te interessa saber, meu coração está desocupado e eu gosto quando você me abraça forte. Talvez isto seja o suficiente para que você chegue mais perto de mim e conviva sem se incomodar com o silêncio que eu carrego nos olhos. O que me atraiu em você foi a sua beleza física com esta sensibilidade e inteligência juntas.Mas aprendi a descartar até essas qualidades em um homem se não houver essa nudez de alma. Os inteligentes podem ser muito espertos e cruéis. Os bonitos podem ser uns tolos. E os sensíveis, muito dramáticos. Eu não estou endurecida, só aprendi a observar com certa malícia, preservo minha inocência, mas me arrancaram a ingenuidade à força, disso eu lembro. Não me fizeram mal algum, nada que não houvesse a permissividade da minha carência. A responsabilidade também foi minha. Você está confortável nesta posição? Aprendi a me enroscar num outro corpo como se eu fosse uma extensão dele. Eu gosto de me aninhar no afeto, nasci para ser acariciada antes, durante e depois do sexo. Mas hoje talvez eu queira que você vá pro seu apartamento_ me deu vontade de escrever alguma coisa sobre a sua voz, antes que ela fique no passado."

Se quiser esquecer seu cd, talvez eu te convide pra jantar amanhã. E te leia alguma coisa mais doce que aquele açúcar empedrado. É que eu ainda não esqueci como se escreve o começo de um romance. Só aprendi que o interesse do leitor vai depender da minha primeira frase.

Então eu prefiro que você volte amanhã. É que eu preciso sentir saudade antes de me apaixonar."
(Marla de Queiroz)



Ela, simplesmente, incrível!!!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Eternal Sunshine Of The Spotless Mind...



Todas as vezes que assisto ou lembro deste filme, "me faço" a mesma pergunta:

Quais pessoas ou momentos eu gostaria que fossem apagados da minha lembrança???

E por mais louca que a resposta possa parecer, hoje, eu sempre chego a mesma conclusão: Nenhum! Não existe momento que eu queira apagar ou muito menos pessoas...

Cada pedacinho vivido, bom ou ruim e pessoas que por mim passaram, boas ou "más", foram responsáveis para a construção de quem sou hoje.

Sem dúvida alguma houveram momentos perfeitos, como houveram inúmeros momentos ruins, momentos de tristeza profunda e eu diria até tenebrosos!
Descobrir a doença do meu pai foi um desses...

Calma! Não vou falar mais uma vez sobre, pais ou sobre a doença do meu pai. Nada disso! Apenas quero exemplificar que eu tive momentos terríveis e que a lição tirada disto foi a melhor possível. Eles servem para alguma coisa! Servem para te fazer melhor... Complexo não?

Claro que no momento da turbulência você não pensa nas experiências positivas que irá colher. Pelo contrário, dependendo do tamanho da dor, você se fecha e tranca mesmo o coração, se revolta...
Porém, a verdade é que os momentos ruins são os responsáveis pela nossa transformação. Geralmente uma transformação positiva, pois eles servirão para o nosso amadurecimento...

Eu sei que isso é uma experiência totalmente individual e nem sei dizer se é uma questão de querer aprender.
Comigo pelo menos não foi assim! Eu não fiquei pensando na lição positiva que poderia tirar daquele momento de dor, foi como um click, como um despertar...
Simplesmente olhei para trás e percebi o rastro feio que estava deixando, os frutos negativos que vinha plantando.

E foi assim que "desabrochei"...
Hoje, percebo que passei a enxergar as coisas por um outro ângulo, o ângulo do meu próximo. "Do cacete" isso né?!

Infelizmente não se aprende com as coisas boas, não sei exatamente o porque disso, particularmente, eu só aprendo com a dor, com as experiências negativas. Na minha vida, as coisas boas servem para me dar prazer, um complemento mesmo, do tipo, momentos bons são para as risadas, mas são as dores que constroem e construirão quem eu realmente sou e serei.

Claro que um acontecimento negativo muito chocante, muito drástico, te faz perder o equilíbrio, o rumo, o chão... e comigo não foi diferente! (neste momento refiro-me a notícia da doença de papai que foi e ainda é algo muito pesado para todos nós, especialmente para mim que sempre vivi assombrada com a idéia de poder perdê-lo um dia).
Alias, não foi e nem é nada fácil, porém vou falar no passado pois essa eu já consegui superar, ou seja, dessa só tenho colhido "bons frutos" hoje em dia! :)
As consequências foram sentidas no meu emocional e no meu físico também...
Não magoei apenas pessoas, eu me feri e muito!
Quando você não está preparado para a dor, para perda, você reage de maneira totalmente inconsequente, eu diria. É involuntário, porém tem consequências...
Mágoas foram causadas, dores foram provocadas e sentidas, por mim e pelas pessoas ao meu redor e nem sempre as pessoas estão dispostas a aceitar isso, nem acho que devam aceitar! Com isso, "inimizades" foram construídas!
Marcas aparentemente indestrutíveis, mas graças a Ele, "alguém apertou o botão do click" e as coisas começaram tomar outro rumo.
Passei encarar a vida com outros olhos, comecei ver tudo colorido novamente. Comecei enxergar que existiam pessoas ao meu redor...

O perdão foi pedido e principalmente concedido!!! Aleluia!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Essa semana tive uma experiência muito bonita, algo relacionado a transformação do meu coração. Relacionado ao desabrochar da minha alma...
Aliás, me perdoem pela falta de modéstia eu tenho sentido um certo orgulho de mim sabe?! Acho que estou conseguindo fazer algumas coisas de maneira correta.

Sabe o que é mais bacana? É que eu tenho conseguido consertar. Não tem sido irreparável e de tudo, isso é o que mais tem me emocionado!
Obrigada Deus! :)

Definitivamente, pensando bem, não mudaria mesmo nada! E depois disso tudo acabei de concluir mais uma coisa: Não houveram pessoas más....................



Este post é dedicado a todos que estiveram, estão ou estarão na minha vida...


Obs.: Anna Carolina, este post foi feito especialmente para você! ;)
Obs2.: Fabíola te peguei né? Pensou que fosse mais um texto melodramático a respeito de amor... he he he


"Responda rapidamente: quem você deletaria de sua memória sem pestanejar? Proponho que você anote esse nome em um papel e vá assistir a O Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, que levanta uma questão na qual (quase) nunca pensamos: existem memórias ruins?

Joel (Jim Carrey) é um cara tímido que arruma uma namorada, Clementine (Kate Winslet), cuja personalidade é oposta à dele. Mesmo assim, os dois começam a namorar e, juntos, constroem uma história. Nenhuma novidade até aqui: quantos filmes têm um casal protagonista? Milhões. Só que Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças não é como qualquer um desses que você deve ter imaginado.

Depois que Joel e Clementine terminam, ela resolve contratar a empresa do doutor Howard Mierzwaik (Tom Wilkinson), que oferece um serviço um tanto quanto peculiar: ele desenvolveu uma técnica que deleta, literalmente, alguém de suas lembranças. Os técnicos – vividos por Kirsten Dunst, Mark Ruffalo e Elijah Wood – entram na mente do contratante e apagam qualquer lembrança existente relacionada à pessoa escolhida. Clementine, claro, pede que eliminem Joel de sua vida. Quando ele descobre a tramóia, não pensa duas vezes e contrata a empresa para fazer o mesmo serviço em sua mente, desta vez eliminando a ex-namorada.

O roteiro de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças é louco e muito bem amarrado. Trabalho de Charlie Kaufman (responsável pelas histórias dos não menos alucinados Adaptação e Quero Ser John Malkovich), que mostra ser um verdadeiro aficionado pelos mistérios da mente humana. Enquanto que Kaufman nos mostra seu mapa das lembranças humanas, Michel Gondry – que já dirigiu alguns dos melhores e mais loucos clipes da islandesa Björk – nos guia pela mente de Joel. Vale também destacar a performance do (ex?) comediante Jim Carrey que, mais uma vez se aventurando no gênero dos longas dramáticos, se sai muito bem, assim como Kate Winslet – mas isso não é novidade para ninguém, a inglesa já provou ser mais do que “a mocinha do Titanic”.

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças não é somente uma experiência que brinca com a mente humana: é um filme triste. Portanto, se você resolver assisti-lo (e eu recomendo que realmente vá), prepare-se para ter vontade de entrar em suas próprias lembranças, buscando pessoas que passaram por sua vida e estão escondidos em cantos isolados de sua mente. E, claro, chegar à conclusão de que nenhum relacionamento é tão ruim a ponto de merecer ser sumariamente deletado da memória."

domingo, 22 de março de 2009

Quinta-feira, 19 e Sexta-feira, 20...



Dois dias que eu gostaria de apagar da minha vida!!!

O primeiro marcado pela minha impulsividade e o segundo marcado pela terrível notícia de que meu paizinho, meu fiel amigo, terá que passar por um tratamento de radioterapia.

Voltando ao dia 19, eu descobri que posso ser cruel ao ser ferida.
Descobri em mim um lado mesquinho e vingativo. Que horror!!!
Estou me sentindo pequena demais, vil e covarde. Sinceramente, são adjetivos que jamais, em tempo algum eu poderia imaginar que caberiam a mim. Ou seja, você se conhece menos do que imagina...Vivendo e aprendendo!
Sabe o que é pior? É magoar alguém que você ama. Como pude?
Se você me perguntar se tem volta, se tem como consertar, eu diria que nem penso num conserto...penso num perdão, já me sentiria melhor...
Porém é preciso me perdoar primeiro e sinceramente no momento nem eu consigo fazer isso!

Sem dúvida alguma dias cinzas, espero que passem logo!