quarta-feira, 12 de maio de 2010

Relações virtuais...

"Fui absolutamente rendida pelo poder das relações virtuais. Acredito que é possível conhecer alguém por e-mail, se apaixonar por e-mail, odiar por e-mail, tudo isso sem jamais ter visto a pessoa.
As palavras escritas no computador podem muito. Mas nem sempre enxergam a verdade.

São sete horas de uma manhã chuvosa. Você não dormiu bem à noite. Põe pra tocar um som instrumental que deixa suas emoções à flor da pele. Vai para o computador e começa a escrever para alguém especial as coisas mais íntimas que lhe passam no coração. Chora. Escreve. Olha para a chuva. Escreve mais um pouco. Envia.

São onze horas da noite deste mesmo dia. O destinatário da sua mensagem está dando uma festa. Todo mundo fala alto, ri muito, rola a maior sonzeira. Ele pega uma cerveja e dá uma escapada até o computador. Abre o correio. Está lá a mensagem. Um texto longo que ele lê com pressa. Destaca algumas palavras: "a saudade é tanta... sozinha demais... dividir o que sinto..." Papo brabo. Responderá amanhã. Deleta.

Alguém pode escrever com raiva, escrever com dor, escrever com ironia, escrever com dificuldade, escrever debochando, escrever apressado, escrever na obrigação, escrever com segundas intenções. Nada disso chegará no outro lado da tela: a pressa, a hesitação, a tristeza. As palavras chegarão desacompanhadas.
Será preciso confiar no talento do remetente em passar emoção junto de cada frase. Como pouquíssimas pessoas têm esse dom, uma mensagem sensível poderá ser confundida com secura, tudo porque faltou um par de olhos, faltou um tom de voz.


Se você passou a desprezar alguém, pode escrever "não quero mais te ver". Se você ama muito alguém, mas a falta de sintonia lhe vem machucando, pode escrever "não quero mais te ver".

Uma mesma frase e duas mensagens diferentes.

Palavras são apenas resumos dos nossos sentimentos profundos, sentimentos que para serem explanados precisam mais do que um sujeito, um verbo e um predicado. Precisam de toque, visão, audição.
Amor virtual é legal, mas o teclado ainda não dá conta de certas sutilezas.
"

Martha Medeiros

Amores apertados...

"Sabe aqueles banheiros mínimos, que quando um entra o outro tem que sair? Tem amores que parecem um banheiro apertado: só cabe um.

Ela ama o cara. Interessa-se pela sua vida, seu trabalho, seus estudos, seu esporte, seus amigos, sua família, enfim, ela está inteira na dele.

Ele, por sua vez, recebe isso de muito bom grado mas não retribui.
Não pergunta pelo trabalho dela, pelas angústias dela, por nada que lhe diga respeito.

Ela, obviamente, não gosta desta situação, mas vai levando, levando, levando, até que um belo dia sua paciência se esgota e ela tira o time de campo. Aí ele entra.

De repente, como num passe de mágica, ele se dá conta de como ela é legal, de como ele tem sido distante, de como vai ser duro ficar sem a sua menina.
Então ele a torpedeia com e-mails e telefonemas carinhosos.
Mas ela é gata escaldada, não vai entrar nessa de novo.
Ele insiste. Quer vê-la, quer que ela entenda que ele é desse jeito tosco mesmo, mas que no fundo ela é a mulher da vida dele.
Ela é gata escaldada mas não é de gelo: então tá, vamos tentar de novo.
Ela entra com tudo.

Com a namorada resgatada, ele se isola novamente em seu próprio mundo, deixando-a conduzir tudo sozinha.
É ela quem o procura, é ela que o elogia, é ela que arma os programas, é ela que lembra das datas, é ela, tudo ela, só ela.
Quer saber: tô fora!

Aí ele entra. Pô, gata, prometo, juro, ó: vou cobrir você de carinho.
E não é que ele cumpre?
Passa a tratá-la como uma deusa, superatencioso, parece outro homem.
Ela aceita a deferência, mas não entra mais nesse jogo. Simplesmente não retribui o afeto dele, quase nunca telefona, sai com as amigas toda hora, e ele ali, no maior esforço.

Ela esnobando, ele tentando, ela se fazendo, ele se declarando. Até que ele enche: tô fora.
Aí ela entra. E ele esfria, e ela cai fora, e ele volta, e seguem neste entra-e-sai até o desgaste total.

Bom mesmo é amor em que cabem os dois juntos."

Martha Medeiros

Green Day - Boulevard Of Broken Dreams



Essa é uma música que fala muito de mim...
Aproveitando o gancho da vinda deles, posto aqui no blog.

Livro do desassossego...

"A solidão desola-me; a companhia oprime-me. A presença de outra pessoa desencaminha-me os pensamentos; sonho a sua presença com uma distracção especial, que toda a minha atenção analítica não consegue definir.
(...) Correr riscos reais, além de me apavorar, não é por medo que eu sinta excessivamente - perturba-me a perfeita atenção às minhas sensações, o que me incomoda e despersonaliza.
(...) E não sei o que sinto, não sei o que quero sentir, não sei o que penso nem o que sou.
(...) Não há sossego - e, ai de mim!, nem sequer há desejo de o ter."

Fernando Pessoa - Livro do desassossego

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Visita clandestina...

"Eu passeio por tua estrada quando você não está, porque não quero mais vê-lo ou tocá-lo.

Eu passeio por tua casa quando você não está, mas não vasculho tuas gavetas, teus segredos, a intimidade repousada no silêncio dos teus bolsos, dos armários: contemplo os móveis, os livros, os discos e tudo o que está exposto__só quero a experiência.

Eu passeio por tuas coisas quando você não está, pra aprender com tua casa, tua estrada e o teu mundo a suportar a tua ausência.


Marla de Queiroz

Sobre a renúncia...

"Renunciar a algo que amamos muito e que desejamos com toda a força do coração é uma das decisões mais cruéis de se tomar que conheço.
Porque a perda equivale a uma morte dupla: morrer para alguém e matar a pessoa na gente.

É como se sobrasse por dentro apenas um casarão vazio com um jardim morto. E, de repente, tudo tão subitamente anoitecido sem previsões de dia novo.

É um caminhar lento e arrastado numa espera sombria de que as horas passem e o tempo leve essa febre alta sem medicação possível.

É preciso que haja tanta paciência e firmeza por dentro pra não entrar em desespero, que a sensação que se tem é de estar meio fora do ar, com tanto esforço. E até chorar fica difícil, teme-se que nunca mais o choro cesse.

Há muitas perdas quando se termina algo que não se queria ter terminado: muda-se a auto-imagem, alegrias ficam suspensas, sonhos desaparecem por um tempo e nenhuma cor na paisagem. O cotidiano fica obscurecido por aquela lacuna aberta no meio do que era a parte mais interessante dos dias.

Com o tempo, você analisa que abrir mão de algo muito importante, só se faz quando se tem um motivo maior que esse algo: seja um propósito, uma crença, um valor íntimo, uma obstinação qualquer que te oriente para essa escolha que já se sabia tão dolorosa.

É um sacrifico voluntário por algo mais pleno, mais grandioso em Beleza. E, nestas análises, você descobre outras perdas que são positivas: perde-se também a ansiedade, a insegurança e a ilusão. E você aprende a recomeçar agradecendo por vitórias tão pequenininhas...

Como quando é noite e antes de dormir você se enche de gratidão:
“Deus, obrigada, porque é noite e eu tenho o sono... Que venha um sonho novo, então.”

Marla de Queiroz

Minha melhor companhia...

Ele não sabe mais nada sobre mim.

Não sabe que o aperto no meu peito diminuiu, que meu cabelo cresceu, que os meus olhos estão menos melancólicos, mas que tenho estado quieta, calada, concentrada numa vida prática e sem aquela necessidade toda de ser amada.

Ele não sabe quantos livros puder ler em algumas semanas.

Não sabe quais são meus novos assuntos nem os filmes favoritos.

Ele não sabe que a cada dia eu penso menos nele, mas que conservo alguma curiosidade em saber se o seu coração está mais tranqüilo, se seu cabelo mudou, se o seu olhar continua inquieto.

Ele nem imagina quanta coisa pude planejar durante esses dias todos e como me isolei pra tentar organizar todos os meus projetos.Ele não sabe quantos amigos desapareceram desde que me desvencilhei da minha vida social intensa.

Que tenho sentido mais sono e ainda assim, dormido pouco.
Que tenho escrito mais no meu caderno de sonhos.
Que aqui faz tanto frio, ele não sabe por mim.

Ele não sabe que eu nunca mais me atentei pra saudade.

Que simplesmente deixei de pensar em tudo que me parecia instável.
Que aprendi a não sobrecarregar meu coração, este órgão tão nobre.

Ele não sabe que eu entendi que se eu resolver a minha dor, ainda assim, poderei criar através da dor alheia sem precisar sofrer junto pra conceber um poema de cura.

Hoje foi um dia em que percebi quanta coisa em mim mudou e ele não sabe sobre nada disso.

Ele não sabe que tenho estado tão só sem a devastadora sensação de me sentir sozinha.

Ele não sabe que desde que não compartilhamos mais nada sobre nós, eu tive que me tornar minha melhor companhia: ele nem imagina que foi ele quem me ensinou esta alegria.

Marla de Queiroz

sábado, 1 de maio de 2010

Boneca de pano...

“Filha única? Deve ter sido muito mimada...”.
“Bonequinha de porcelana do papai e da mamãe”

Hoje eu li um texto da Clarice Lispector que falava exatamente sobre isso.
A partir daí, foi que senti vontade de fazer esse texto.
E o que isso tem a ver com o título?!?
Bem, se existe uma coisa que eu descobri a meu respeito, é que nem de longe eu sou de porcelana...
Descobri com os últimos acontecimentos da minha vida, sendo este último o pior possível, que com todas essas feridas e cicatrizes que possuo hoje, estou mais para boneca de pano. A boneca que é rasgada, costurada, puída e às vezes até sem mais condição de uso, mas permanece ali, no seu papel de boneca de pano.

Faltam quatro dias para completar um mês da sua partida e eu refleti muito sobre isso que li e percebi que não vou te trazer de volta mesmo que tivesse que dar minha vida por isso e o Sr. sabe ou soube, nem sei como me referir ao Sr. hoje, que faria isso sem pensar duas vezes! Mas não posso...
Porém, recomeçar é preciso!
Existem pessoas ao meu redor que estão sofrendo junto comigo.
Familiares, amigos e até desconhecidos fazendo de tudo para me levantar e fazer enxergar alguma luz no fim desse buraco negro que se abriu dentro de mim...
Confesso que não vejo nada na minha frente. Mas, recomeçar é preciso...

Acho que é exatamente nessas horas que a expressão “PAPAI MUNDO VAI ENSINAR”, se torna real.
Nós, “as bonecas de porcelana”, tomamos ciência de que a realidade é completamente diferente...
Não temos controle sobre absolutamente NADA, nem sobre a nossa própria vida!
Como autêntica suicida que sou não vou mentir dizendo que estou animada, ou estou voltando pra vida! Muito pelo contrário!
Quero deixar claro que não é por opção esse recomeço e sim por falta de...

Estarei eternamente de luto meu pai! ETERNAMENTE...
Embora o Sr. não gostasse de ouvir isso, eu nunca disse que seria diferente do que tem sido.
Eu sabia que seria assim!
Nossa ligação era absurda, compatibilidade total e afinidade ímpar nos fazia muito mais do que PAI e FILHA...
Nós éramos incríveis juntos!
Mas, recomeçar é preciso...

Por este amor que sinto pelo Sr. e por todas as nossas conversas é que vou seguir deixando claro, que minha vida NUNCA mais será completa e muito menos sentirei felicidade absoluta!
Jamais te esquecerei... JAMAIS!!!

Vou seguir meu caminho na certeza de que um dia irei te reencontrar novamente...
Pois se preciso de uma motivação, aí está!

Com o mesmo amor INCONDICIONAL de sempre,

Sua única filha, mimada e muito amada!


“Ela, na sua magnífica força e coragem,
aprendeu a ser livre;
a gritar quando tem vontade,
a chorar quando precisar chorar
e a sorrir mesmo quando a situação não permitir sorrir.

E, perante os olhos intimadores dos
homens e de tamanha curiosidade,
ela levantou a cabeça e mostrou
que não era uma boneca de porcelana,
mas que podia ser quebrada várias vezes
e que sempre conseguia se juntar
sem perder nenhum dos pedaços.”

(Clarice Lispector)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

domingo, 25 de abril de 2010

Sua partida...

Nunca imaginei escrever esse texto.

A grande verdade, é que se existe algo certo nessa vida, é que todos nós partiremos um dia. Porém, nunca realmente acreditamos que esse dia irá chegar para nós. Principalmente quando se trata da pessoa mais importante da sua vida...

Paizinho, estou passando pela PIOR experiência da minha vida! Sentindo a pior dor que eu poderia sentir!

O Sr. foi embora e eu fiquei perdida, completamente sozinha e vazia.
Inúmeras vezes nós dois conversamos sobre isso e sempre terminávamos com a certeza de que nós três, eu, o Sr. e a mamãe seríamos "arrebatados" e não passaríamos pela dor da morte...

Eu acreditava plenamente nisso! Acreditava que Deus seria misericordioso comigo e não permitiria que eu passasse por tudo o que estou passando agora. Me enganei feio!

Se eu disser que não estou magoada com a vida, estaria mentindo.
Estou em frangalhos! Completamente dilacerada!
Fiquei com a missão de cuidar do seu grande amor e estou falhando meu pai... falhando feio!

Nem conversar com minha mãe estou conseguindo! Não temos assunto...
O nosso silêncio demonstra que nós duas compartilhamos o mesmo drama, a mesma dor...

Sua perda é irreparável! Sua ausência é algo perturbador, eu diria até enlouquecedor!

Que falta que o Sr. faz! Quanta falta!

Queria ter maturidade, queria ter principalmente espiritualidade para lidar com essa situação... Não estou tendo! Me perdoe!

Tenho dentro de mim hoje um imenso vazio...

Minha alma está chorando!
Meu coração está partido!

Hoje até o simples ato de dirigir é doloroso pois o banco do carona está sempre vazio. Minha mãe, não andava NUNCA na frente, era o Sr. ao meu lado sempre...

Fico olhando as fotos e vídeos, tentando suprir a falta e matar um pouco da saudade porém não tem resolvido.

Está tudo muito difícil, além de toda dor que estou sentindo, convivo hoje com o medo de te envergonhar. Dentro de mim, arde uma cobrança de tentar agir como o Sr. gostaria que eu agisse, mais eu sei que não vou conseguir pq o Sr. era bom demais, era completo demais! Se eu fosse 1/3 do que o Sr. era como ser humano, eu seria 100% melhor...

Sou muito falha, muito pequena!

Eu só não quero que as pessoas achem que o Sr. não cuidou da sua família. Sinto medo das pessoas acharem que o Sr. cuidou das almas e esqueceu da sua casa. Não é verdade! Tudo o que Sr. me ensinou foi dentro da palavra de Deus... Eu falava como filha e o Sr. me orientava como Pastor.

Meu Deus! Hoje percebo o peso de ser filha do Sr. !!!

Uma honra sem dúvida! E uma grande responsabilidade...

O Sr. foi meu pai, foi meu amigo, foi meu companheiro, foi meu cúmplice e foi meu pastor!

Que privilégio ter tido essa oportunidade! Que privilégio!

Seu apelido era "JOÃO, APÓSTOLO DO AMOR"! Essa era a sua essência... AMOR!
Não sei como fazer! Não sei como prosseguir...

Sabe, tenho clamado a Deus incessantemente que me leve também! Eu sei que parece egoísta com quem ficou aqui, eu sei que o Sr. ficaria muito triste se soubesse disso, porém meu pai, não existe mais em mim o menor desejo de continuar...
Só me resta então, clamar a Deus por misericórdia...

(esse foi um desabafo pois são quatro horas da manhã e ainda não consegui dormir, um dia, quando tudo se acalmar, farei um texto bem bonito, hoje só consigo transmitir tristeza pela tua ausência...
Um dia, quem sabe eu consiga escrever com a leveza de quem sente apenas saudade...)

Sua filha Andréa

sábado, 16 de janeiro de 2010

Linhas Cruzadas...

E agora que eu tenho certeza que você não é ‘aquele’, eu me descubro cagando um monte pra tudo isso.
Porque você não é perfeito, mas o cara dos meus sonhos não tem o desenho da sua boca: com mais tinta do que contorno.
O homem perfeito é um puta de um chato com seus cds cults e cartazes de filmes europeus pela sala. Você com aquele seu vinil incansável do Bob Marley é muito divertido, porque a gente briga até não agüentar mais por causa dele e depois faz as pazes transando do nosso jeito.
Porque o homem perfeito é cheio de estripulias sexuais, mas eu detesto estripulias e adoro nosso jeito intenso de se amar cheio de inconformismos com a intensidade.
Eu sonhei sim com esse cara, que me levaria tomar sopas quentinhas em lugares com jazz e olharia para mim a noite toda achando que maior diversão no mundo não poderia haver.
Mas você com essa sua mania de encher de amigos as pizzarias e soltar um ou outro “irado” me faz te odiar tanto e querer tanto a sua atenção. E me faz querer tanto você daqui a pouco, porque você não enjoa. Você me cansa demais mas não enjoa.
E quando você me cansa eu enfio a minha cabeça no fortinho do seu peito, eu que sempre odiei os malhados, e peço a Deus para que eu nunca desista de te odiar tanto assim, porque não pode existir ódio mais cheio de borboletas, notas musicais e passarinhos azuis.
Eu quero sim te matar, porque você tem uma mania surda de responder todas as minhas perguntas com um “ãhhh?” enjoado, e eu quero te socar porque você já descobriu tudo o que me irrita e gosta de me ver assim. Mas quando qualquer outra coisa no mundo me irrita, eu lembro que eu tenho você pra me fazer sentir essa raiva nossa de sitcom inteligente.
E sua cara de sonso despretensioso para a vida, enquanto eu coleciono rugas, berros e inchaços. A sua cara de que “não é comigo” vai muito bem com a minha máscara da agressividade que acredita que tudo é comigo.
E o homem perfeito tem um beijo profundo e ritmado, que de tão melado e encaixável me deixa saciada de um jeito que encerra o meu desejo. E você tem um jeito caótico de me beijar meio burro, porque se eu vou para um lado, você vai para o mesmo. E é nesta única hora em que você não deveria concordar comigo, que você concorda.
E eu nunca me dou por satisfeita, e acabo achando que a gente ainda nem deu o nosso primeiro beijo, o que me causa uma ansiedade de paixão inicial que não deixa o peito relaxar.
E o homem das minhas ilusões me deixaria relaxar numa enorme cama amorosa, e acordaria inúmeras vezes para me ver dormir abraçada a toda a certeza que ele me daria com apenas um segundo de olhar.
É cansativo viver sem vírgulas porque eu respiro a sua existência 24 horas por dia, e só coloco vírgulas teatrais para você não enjoar de mim.
Te amar não é fácil, é quase o anti-amor. É muito quase como se você nem existisse, porque só o homem perfeito mereceria tanto sentimento. E eu te anulo o tempo todo dizendo para mim, repetindo para mim, o quanto você falha, o quanto você fraqueja, o quanto você se engana.
E fazendo isso, eu só consigo te amar mais ainda.
E a gente vai por aí, se completando assim meio torto mesmo. E Deus escrevendo certo pelas nossas linhas que se não fossem tão tortas, não teriam se cruzado.



Tati Bernardi

Triz...

"Eu quase consegui abraçar alguém semana passada. Por um milésimo de segundo eu fechei os olhos e senti meu peito esvaziado de você. Foi realmente quase. Acho que estou andando pra frente. Ontem ri tanto no jantar, tanto que quase fui feliz de novo. Ouvi uma história muito engraçada sobre uma diretora de criação maluca que fez os funcionários irem trabalhar de pijama. Mas aí lembrei, no meio da minha gargalhada, como eu queria contar essa história para você. E fiquei triste de novo.
Hoje uma pessoa disse que está apaixonada por mim. Quem diria? Alguém gosta de mim. E o mais louco de tudo nem é isso. O mais louco de tudo é que eu também acho que gosto dele. Quase consigo me animar com essa história, mas me animar ou gostar de alguém me lembra você. E fico triste novamente.
Eu achei que quando passasse o tempo, eu achei que quando eu finalmente te visse tão livre, tão forte e tão indiferente, eu achei que quando eu sentisse o fim, eu achei que passaria. Não passa nunca, mas quase passa todos os dias.
Chorar deixou de ser uma necessidade e virou apenas uma iminência. Sofrer deixou de ser algo maior do que eu e passou a ser um pontinho ali, no mesmo lugar, incomodando a cada segundo, me lembrando o tempo todo que aquele pontinho é um resto, um quase não pontinho. Você, que já foi tudo e mais um pouco, é agora um quase. Um quase que não me deixa ser inteira em nada, plena em nada, tranqüila em nada, feliz em nada.
Todos os dias eu quase te ligo, eu quase consigo ser leve e te dizer: “Ei, não quer conhecer minha casa nova?” Eu quase consigo te tratar como nada. Mas aí quase desisto de tudo, quase ignoro tudo, quase consigo, sem nenhuma ansiedade, terminar o dia tendo a certeza de que é só mais um dia com um restinho de quase e que um restinho de quase, uma hora, se Deus quiser, vira nada. Mas não vira nada nunca.
Eu quase consegui te amar exatamente como você era, quase. E é justamente por eu nunca ter sido inteira pra você que meu fim de amor também não consegue ser inteiro.
Eu quase não te amo mais, eu quase não te odeio, eu quase não odeio aquela foto com aquelas garotas, eu quase não morro com a sua presença, eu quase não escrevo esse texto.
O problema é que todo o resto de mim que sobra, tirando o que quase sou, não sei quem é."

Tati Bernardi

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Periférico...*

(...)

"Eu nunca aceitei a simplicidade do sentimento. Eu sempre quis entender de onde vinha tanta loucura, tanta emoção. Eu nunca respeitei sua banalidade, nunca entendi como pude ser tão escrava de uma vida que não me dizia nada, não me aquietava em nada, não me preenchia, não me planejava, não me findava.

Nós éramos sem começo, sem meio, sem fim, sem solução, sem motivo.

...Não sinto saudades do seu amor, ele nunca existiu, nem sei que cara ele teria, nem sei que cheiro ele teria. Não existiu morte para o que nunca nasceu....

....Sinto falta da perdição involuntária que era congelar na sua presença tão insignificante. Era a vida se mostrando mais poderosa do que eu e minhas listas de certo e errado. Era a natureza me provando ser mais óbvia do que todas as minhas crenças. Eu não mandava no que sentia por você, eu não aceitava, não queria e, ainda assim, era inundada diariamente por uma vida trezentas vezes maior que a minha. Eu te amava por causa da vida e não por minha causa. E isso era lindo. Você era lindo.
Simplesmente isso. Você, a pessoa que eu ainda vejo passando no corredor e me levando embora, responsável por todas as minhas manhãs sem esperança, noites sem aconchego, tardes sem beleza....

....sinto falta de quando a imensa distância ainda me deixava te ver do outro lado da rua, passando apressado com seus ombros perfeitos. Sinto falta de lembrar que você me via tanto, que preferia fazer que não via nada. Sinta falta da sua tristeza, disfarçada em arrogância, em não dar conta, em não ter nem amor, nem vida, nem saco, nem músculos, nem medo, nem alma suficientes para me reter.

Prometi não tentar entender e apenas sentir, sentir mais uma vez, sentir apenas a falta de lamber suas coxas, a pele lisa, o joelho, a nuca, o umbigo, a virilha, as sujeiras. Sinto falta do mistério que era amar a última pessoa do mundo que eu amaria."

Tati Bernardi

* O texto completo você encontra em www.tatibernardi.com.br, arquivo 2006.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Tempo é algo que não volta...



Tempo é algo que só tomamos ciência do seu real significado quando passa existir a possibilidade do "nunca mais".

TEMPO É ALGO QUE NÃO VOLTA!!!

Nossa! Se eu tivesse noção do significado dessa frase eu teria feito tanta coisa diferente na minha vida!

Teria te aproveitado mais...
Teria brigado menos...
Teria aberto mão de sair só para ficar mais tempo contigo...
Teria cuidado mais do Sr e menos de mim...
Teria tirado seu sapato mais vezes...
Teria cuidado da sua pele muito mais...
Teria te abraçado mais...
Teria te beijado mais...
Teria ficado mais no seu colo...
Teria comido diariamente meu prato predileto só para te ver de avental como fez tantas vezes quando era pequeninha...

Pra dizer a verdade, hoje se eu tivesse noção do significado da palavra TEMPO, eu nem teria crescido...

Queria muito poder fazer alguma coisa que efetivamente nos dê mais tempo porque tudo o que tenho feito parece que não está adiantando...
Segunda-feira foi a pior notícia de todas a notícias que já recebi depois da descoberta da sua doença e não estou conseguindo mais ser aquela Andréa que há três anos tem conseguido manter o "equilíbrio", a fé e a esperança...
Estou muito triste! Muito mesmo!
Só queria poder voltar e fazer tudo diferente...
Queria ter sido alguém importante para poder divulgar aos quatro cantos como é ser sua filha!
Poder divulgar para as pessoas que pode existir uma pai tão maravilhos como o Sr. é, mais que NÃO EXISTE e nem NUNCA vai existir pai melhor do que o Sr.

Meu amigo! Meu companheiro! Meu cúmplice!
Eu não quero te perder...
Eu sei que essa é a lei natural da vida, mais eu preciso de mais tempo.
Agora não... ainda não...
Eu sei que o Sr. está aqui, vivo e lutando, mais estou muito assustada e com muito medo!!!
O Sr. NUNCA vai saber disso! Mais estou sofrendo muito!!!
Escrever pra mim é um alívio e além disso, de uma certa forma, me conforma dividir a minha dor com meus amigos e também me faz sentir bem registrar e deixar que as pessoas saibam que o Sr. é o meu amor maior.
Que abaixo do Sr. Deus, só o Sr.

Não sou muito boa com palavras, me sinto melhor escrevendo. Talvez seja esta a explicação por textos tão longos...


Eu preciso chorar tudo o que tenho para chorar agora que estou no meu "mundo" porque depois de falar com Deus, é aqui que eu deposito todas as minhas angústias e medos.
E depois como num passe de mágica, na sua presença, tudo parece voltar ao normal!

Sabe pai, as vezes acho que não falei o suficiente, o quanto EU TE AMO e o quanto EU SOU GRATA por tudo o que fez por mim e faz...
Tenho vontade de fazer todo momento, todo instante, só para o Sr. saber o quanto é fundamental na minha vida...
Queria poder te dar a exata noção de tudo o que o Sr. representa pra mim. Será que o sabe???

Eu te amo tanto!!!

Com amor da sua única filha...

Gente, meu pai está vivo. Há três anos estamos lutando contra um câncer. Na segunda-feira nós descobrimos que o câncer se espalhou para os ossos.
Apesar desse texto ser bastante doloroso, eu gostaria de dizer que a nossa fé é inabalável!
É inevitável não doer... sou humana!
Mais a nossa guerra só está começando! Deus é com o meu pai. EU NÃO TENHO DÚVIDAS!!!
Meu pai é um homem temente a Deus! Serve ao Sr. desde que eu tenho 3 anos de idade. Estou com 34 anos e no dia 30 de Janeiro completarei 35, ou seja, são 32 anos que ele é servo.
Nosso Deus, é um Deus de milagres! É um Deus de Maravilhas! É um Deus Justo e fiel!
Eu creio na vitória do meu pai!
Parece loucura eu sei! Mais as coisas de Deus não são para serem compreendidas por mim, por você ou por qualquer homem desta terra.
A vontade de Deus é e será sempre um mistério para todos nós!
O que nos resta é a fé! E estamos nela!!!
Essa foi a maior herança que esse homem chamado Geraldo poderia ter deixado pra mim. A fé!
Dentro do meu coração só sinto gratidão por ter tido a oportunidade de ter a família que eu tive e tenho. Vocês não fazem idéia!
Meus pais são lindos!
Obrigada Sr. por ter me dado esse privilégio... MUITO OBRIGADA!!!

Essa foi apenas uma forma de mostrar como filha o meu amor, a minha dor e o vazio que vai ficar quando nos separarmos...

Andréa

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Cartas extraviadas...

"Saudade eu tenho do que não nos coube.
Lamento apenas o desconhecimento daquilo que não deu tempo de repartir, você não saboreou meu suor, eu não lhe provei as lágrimas.
É no líquido que somos desvendados.
No gosto das coisas o amor se reconhece.
O meu pior e o seu melhor, ficaram sem ser apresentados."

Martha Medeiros

Trecho do filme Divã...

"…Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo. Eu bati a 200 km por hora e estou voltando á pé pra casa, avariada.

Eu sei,não precisa me dizer outra vez. Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos. Telvez este seja o ponto. Talvez eu Não seja adulta o suficiente para brincar tão longe do meu patio, do meu quarto, das minhas bonecas. Onde é que eu estava com a cabeça, de acreditar em contos de fada, de achar que a gente muda o que sente, e que bastaria apertar um botão que as luzes apagariam e eu voltaria a minha vida satisfatória,sem seqüelas, sem registro de ocorrência? Eu não amei aquele cara. Eu tenho certeza que não. Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada.

Não era amor,era uma sorte.
Não era amor, era uma travessura.
Não era amor, eram dois travesseiros.
Não era amor, eram dois celulares desligados.
Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno.
Não era amor, era sem medo.

NÃO ERA AMOR, ERA MELHOR”


Martha Medeiros

Despedida...

Despedida
Novembro 22, 2006 at 11:05 am | In Martha Medeiros | 2 Comments

Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina e a gente,
seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro,
com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva,
já que ainda estamos tão embrulhados na dor
que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços,
a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos.
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre,
sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir,
lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual
a gente se apega. Faz parte de nós.
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis,
mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo,
que de certa maneira entranhou-se na gente,
e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível.
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’
propriamente dita. É uma dor que nos confunde.
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos
deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por
ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos,
que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou,
externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente…
E só então a gente poderá amar, de novo.


Martha Medeiros

Meu pai heroi...

"O meu pai não tem asas nem capa voadora de verdade, mas me faz voar muito além com suas palavras, seus conselhos, seu afeto, aqueles os quais vou levar sempre comigo em minha grande e longa jornada...

Meu pai tem super poder sim, sabe como me arrancar um sorriso,sabe como me amar de verdade e descobre facilmente meu ponto fraco, conhece a formula de me entender e saber o que eu mais gosto de comer, o que eu mais gosto de fazer.

Meu pai não tem nenhum tipo de escudo nas mãos pra me defender, mas muitas vezes utiliza a sua vida pra fazer isso por mim, está sempre disposto a me dar do melhor que pode.

Mesmo que este melhor custe seu tempo, seu trabalho.

Meu pai não tem hora pra ser meu herói, pois sempre que peço, sempre que estou doente, ele vem em minha busca não se importando com o local, me da suas forças seu sorriso para que o meu surja entre lagrimas e dores.

Meu super-herói é assim me ensina a defender o bem a cultivar o amor e plantar o respeito por onde eu passo, me ensina que seus passos podem ser muito longos quando se existe um pai em nossa trajetória.

Pai-Herói é isso que você é e sempre será em toda minha vida pois caminhar ao seu lado é se sentir protegido, cada beijo, cada palavra, cada gesto que você faz eu te agradeço sempre embora nem sempre manifeste.

Saiba meu herói que você não é apenas um herói no dia de hoje mas um herói pra vida toda.
Eu te amo meu herói"

Laisa Rosinski